Eu saindo da vida de alguém que não respeita os meus limites…

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Ser nós mesmas faz com que nos isolemos de muitos outros e, entretanto, ceder aos desejos dos outros faz com que nos isolemos de nós mesmas”

 Clarissa Pinkola Estés

Outro dia saí com uma grande amiga que estava revoltada com a situação que tinha ocorrido com uma companheira de trabalho, pois segundo ela: a mulher vivia há anos em um casamento (perfeito) e de uma hora para outra o marido foi embora, sem dar uma explicação, nunca reclamou ou mostrou insatisfação.

E continuou afirmando, ele deve ter arrumado outra, você não sabe como é homem?  E  se recordou do divórcio da irmã, que viveu uma situação parecida, estava há anos em um casamento, onde tinha prole e simplesmente um dia em um evento social o ex-marido simplesmente disse hoje eu vou embora e a irmã dela perguntou? Embora,  para onde? Vou embora de casa, quero me separar de você e no dia seguinte cumpriu a promessa, sem dar mais nenhuma palavra.

Discordei da minha amiga, disse para ela que não concordo com esse discurso, expliquei para ela que o outro fala, mostra sinais, as pessoas é que não conseguem enxergar, não prestam atenção, não estão nem ai pra a gente.

Tem gente que permanece ao nosso lado, agindo conforme seus próprios interesses, sem considerar se estão sendo boas para nós ou não, se está te fazendo bem ou não. Não respeita os nossos limites, é personalista quer fazer tudo do seu jeito.

É verdade que, em muitos casos, na hora de partir algumas pessoas têm a coragem de comunicar que está rompendo, mas nem todos conseguem lidar com essa situação de forma aberta, pois acham o processo doloroso demais. E vão embora sem falar nada, simplesmente dão Ghosting, possuem dificuldades em lidar com a situação.

E comecei a contar para ela uma experiência que tive para requerer alimentos (pensão) para uma mulher que viveu por mais de 30 anos com um homem e com ele teve dois filhos.Porém, no dia da formatura da filha mais nova, o cônjuge varão se disse indisposto e não quis ir ao evento.

Mas, quando a família retornou encontrou a casa vazia, ele simplesmente havia baixado um caminhão de mudança e levou vários pertences. E SUMIU foi difícil encontrá-lo até para citação do processo, ele havia desaparecido.

É claro que quando fui contratada para o caso, fiquei bastante revoltada com a sua postura! Porém, no dia da audiência, quando ouvi o seu depoimento e de todos os envolvidos, entendi aquele homem.

É claro que eu não concordo com que ele fez com a família, apenas estou dizendo que o compreendi. Quem sou eu para julgar, ele que viva de acordo com a consciência dele!

Durante anos viveu um relacionamento abusivo, com a mulher, filhos, ficou calado, entubou um monte de coisas, passou dos próprios limites pela boa convivência, até que um dia explodiu!

Esperou a filha mais jovem ter uma direção na vida e deu Ghosting! Foi embora, sem olhar para trás.  Disse chega, deu um basta naquilo tudo.

Vi-me muito naquele homem, me afinizei com ele, percebi que eu tinha posturas muito parecidas com as dele.

Tenho o hábito de entubar, não gosto de confrontos, conversas difíceis, de levantar a voz durante uma discussão porque fico preocupada em perturbar ainda mais as pessoas, gosto de me fazer desentendida com as situações.

No entanto, essa postura é muito perigosa! Pois, quando alguém não sabe ou não consegue colocar limites, acaba se sobrecarregando, acumulando frustrações e também, acaba atraindo os abusadores, manipuladores.

Porém, por mais que eu reconheça que tenha essa dificuldade, há um tempo a vida me ensinou a lidar com essa situação. Quando você é “mulher”, escolhe viver “sozinha” e ainda é advogada. É preciso saber delimitar território, a impor limites perante algumas situações que não são de nossa responsabilidade.

Até por que impor limites é saudável, e quem se chateia quando a gente fala, geralmente é quem se beneficia com o nosso silêncio.

E continuei o assunto contando alguns casos em que vivi na minha vida cotidiana, dos excessos de algumas pessoas:

Eu estudei no ensino médio com o irmão dessa amiga e com outra amiga. Trabalhei para  (amiga do ensino médio)em vários processos, porém, teve um caso em que ela me pediu para cancelar uma cobrança indevida, o processo deu o maior trabalho e no final a cobrança foi cancelada.

Mas, só houve a devolução de R$ 360,00 (trezentos e sessenta reais) sabe o que ela disse? Desse valor você tira 30% e passa o resto para minha conta.

Respondi pra ela, sabe quanto custa uma faxina? Você quer dar R$100,00 (cem reais) para um advogado fazer um trabalho? Ela ficou com raiva de mim e se afastou. Sinceramente, isso é livramento!

E quando querem ajudar o “parente/ou amigo” e querem precificar o seu trabalho, como uma pessoa pode dar preço para o trabalho do outro?Ou pegam o trabalho querem dividir com você não fazem nada e só querem aparecer no dia que sai o dinheiro!  E a coleguinha que  resolve que como você tem um escritório e quer se socar dentro.

Teve um caso de uma pessoa que fez um cartão com o meu endereço e começou a dizer para as pessoas conhecidas que era minha sócia, mentira! Nunca tive sociedade com ela, não tinha nenhum vínculo com ela(colega/conhecida/muito distante) “As pessoas adoram fazer chame com o chapéu alheio”. 

Não satisfeita, um dia essa figura me ligou dizendo que havia brigado com o namorado e se podia ficar na minha casa? Eu disse não, que minha casa estava com visitas e que ela deveria procurar a família dela.

Ela disse que não, pois ela queria ficar em Copacabana, deixou passar uns dias e tocou de mala na minha casa. Porém, não abro a porta, isso não é problema meu! Ela começou a falar mal de mim, dizendo que eu era uma pessoa egoísta, qual o problema dela passar um tempo na minha casa? Morava sozinha.

A questão é que eu não queria, egoísta sou eu? Ou ela? Invadir a privacidade do outro, um apartamento pequeno, com apenas uma cama, ela queria o quê? Que eu dividisse fluido corporal com ela? Já pensou? Como colocar uma pessoa dessas pra fora depois?

Não adianta evito carregar o peso que não me pertence. Nem todo fardo é meu pra resolver, não trago para a minha vida problemas que não são meus e que  não escolho viver.

O problema é do outro, é a vida dele, são as escolhas dele, o que o outro escolheu viver é decisão dele.   Existe um limite entre ser empático e assumir demandas que não são minhas.

Até por quê absorver o que não nos cabe não resolve o problema da pessoa.  Apenas cria mais um para  a gente.

E a outra, me pediu uma chance de trabalho e quando eu fui ver ela queria socar o marido dentro do meu escritório, querendo se meter em tudo. “Querendo cantar de galo dentro do meu galinheiro”. Não pagava um boleto, estava dividindo o meu pão, conhecimento e eu ainda tinha que aturar os excessos do marido dela.

Mas,  dou linha na pipa porque sei puxar. Se você der mole o outro te engole. E como diz   Jorge Aragão. “Por isso vê lá onde pisa, respeite a camisa que a gente suou. Respeite quem pôde chegar aonde à gente chegou. E, quando pisar no terreiro, procure primeiro saber quem eu sou”.

Quem tem que impor limites? Você ou outro? Respeito é recíproco e, se não vier do outro, precisa vir de você primeiro. Quem se ama e tem uma boa autoestima entende que respeito é o mínimo em qualquer relação, seja de amizade, família ou amor.

É melhor andar sozinho com dignidade do que acompanhado de quem tenta apagar o seu brilho. É justamente essa prática que permite que os vínculos sejam mais saudáveis, baseados em respeito mútuo, e não em cobranças ou invasões.

Todavia, nem sempre aprendemos a reconhecer os sinais de desrespeito ou a impor limites. Isso pode vir de uma educação onde os sentimentos foram invalidados, onde “não fazer cena” ou “ser boazinha” era mais valorizado do que se proteger emocionalmente.

Contudo, diante de certos contexto e circunstâncias a gente tem que tomar cuidado para não aumentar o peso que a gente carrega. Já está tudo muito pesado para sermos mais um peso na vida de alguém, ou deixarmos que alguém se torne um peso para nossa vida. A vida já é leve. Quando cada um cuida do que lhe pertence. 

Pois como diz minha querida cantora e compositora Maraísa: “Não seja o peso na vida de ninguém.” Eu penso nisso constantemente, porque, sinceramente, um dos meus maiores medos é ser esse peso, essa presença que não é desejada.

Sempre fiz de tudo para não depender dos outros e não é agora que essa situação vai mudar, não quero ser um problema na vida de ninguém.

Eu escolho a leveza. Escolho não ser o peso, não ser aquela presença que sufoca que insiste. Prefiro ser alguém que dá espaço, que respeita, que entende os sinais.

Eu sou o tipo de pessoa que não vai te cobrar nada. Não vou te cobrar afeto, atenção ou respostas. Não vou insistir para que você me escolha, para que você me note ou me valorize.

No momento em que percebo que você não está disposto a ser minimamente recíproco, eu faço o que preciso fazer: recolho meu banquinho e vou embora, em silêncio. Sem brigas, sem cobranças, sem aquele “poxa, você não me respondeu”, “eu te convidei e você nem foi”, ou “eu te liguei, e você não atendeu”.

Não vou mendigar espaço na vida de ninguém, porque sei que todo mundo tem escolhas. Somos adultos, e cada um faz o que quer. Então, eu vivo assim: deixando as portas abertas, mas não implorando para ninguém ficar.

E você já parou para pensar se, às vezes, você está sendo chato ou inconveniente na vida de alguém? Cobrando algo que a pessoa talvez não esteja disposta e preparada para te dar?

Não seja insistente. Quem precisa enxergar o seu valor não é a outra pessoa, é você! E se o outro não te dá o valor que você merece, é hora de seguir em frente sem olhar para trás  .

Não aceite menos do que merece. Sua paz vale muito mais do que qualquer presença que não saiba reconhecê-la. Cuide da tua paz, ela vale mais do que qualquer confusão.

Permita-se afastar do que fere, do que enfraquece sua autoestima e do que coloca dúvidas sobre a sua importância. Amar a si mesmo também é aprender a fechar portas.

Vamos valorizar as relações que nos fazem bem e nos cercar de pessoas que realmente se importam com o nosso crescimento e felicidade.  E acima de tudo respeite os nossos limites, afinal a confiança e o respeito são a base sólida de qualquer relação.

 Fique atento para não entrar no sacrifício e não fazer além das suas possibilidades, perceba seus limites, fique no sacro ofício.

Dica importante♠ Não vá à frente sujando a água,que mata a sede de alguém. Ande lado a lado. Assim não precisas explorar o outro .

https://www.refletirpararefletir.com.br/4-cronicas-de-martha-medeiros

Escolhi aprender tudo sobre mim pra nunca mais aceitar que alguém queira me ensinar quem eu sou (Suelen Machado).