{"id":9778,"date":"2020-07-18T22:13:04","date_gmt":"2020-07-18T22:13:04","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/?p=9778"},"modified":"2024-11-24T22:12:44","modified_gmt":"2024-11-24T22:12:44","slug":"o-mito-de-medeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/?p=9778","title":{"rendered":"O mito de Medeia e o caos da emo\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" style=\"font-weight: 300;\" src=\"https:\/\/image.slidesharecdn.com\/medeia-110504171328-phpapp01\/95\/medeia-de-eurpedes-prof-eduardo-rabenhorst-2-728.jpg?cb=1304530596\" alt=\"Medeia de Eur\u00edpedes - Prof. Eduardo Rabenhorst\" \/><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0&#8220;O que uma \u00e9poca percebe como mal \u00e9 geralmente uma resson\u00e2ncia an\u00e2cronica daquilo que um dia foi considerado bom-o atavismo de um antigo ideal. O que se faz por amor sempre acontece al\u00e9m do bem e do mal&#8221;.<\/p>\n<\/blockquote>\n<header>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div id=\"header\">\n<div id=\"Header1\" data-version=\"1\">\n<div id=\"header-inner\">\n<div>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a href=\"https:\/\/eventosmitologiagrega.blogspot.com\/\"><span style=\"color: #000000;\">Mitologia Grega<\/span><\/a><\/span><\/h1>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p>Os mitos nos ajudam a entender as rela\u00e7\u00f5es humanas e guarda em si a chave para o entendimento do mundo e da nossa mente anal\u00edtica. A mitologia grega, repleta de lendas hist\u00f3ricas e contos sobre deuses, deusas, batalhas her\u00f3icas e jornadas no mundo subterr\u00e3neo, revela-nos a mente humana e seus meandros multifacetados. Atemporais e eternos, os mitos est\u00e3o presentes na vida de cada Ser humano, n\u00e3o importa em que tempo ou local. Somos todos, deuses e her\u00f3is de nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">\u00a0<span style=\"font-size: 10px; letter-spacing: 0.1em; text-transform: uppercase;\">Med\u00e9ia, um complexo destrutivo<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div>\n<div id=\"main\">\n<div id=\"Blog1\" data-version=\"1\">\n<div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div id=\"post-body-5167302213974568451\">\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p>Med\u00e9ia era uma famosa feiticeira, filha do rei Aetes da C\u00f3lquida que, por medo dos encantamentos de Med\u00e9ia, a\u00a0encerrou no c\u00e1rcere. No entanto, usando suas magias ela conseguiu fugir e se refugiou no templo de Helius. Quando\u00a0Jas\u00e3o foi \u00e0 Colquida buscar o velocino de ouro que era protegido por drag\u00f5es, Med\u00e9ia que era h\u00e1bil nas artes m\u00e1gicas,\u00a0ajudou Jas\u00e3o a recuperar o velocino de ouro dando-lhe um \u00f3leo que tornava invulner\u00e1vel seu corpo ao fogo e ao ferro\u00a0durante um dia.<\/p>\n<p>Jas\u00e3o dependia do velocino para recuperar o trono que lhe pertencia por direito. Apaixonada por Jas\u00e3o, Med\u00e9ia o\u00a0auxiliou na fuga raptando o pr\u00f3prio irm\u00e3o, o pr\u00edncipe Absirto herdeiro do trono. Em fuga pelo mar e perseguidos pela\u00a0esquadra do rei, Med\u00e9ia esquartejou o pr\u00f3prio irm\u00e3o lan\u00e7ando seus peda\u00e7os ao mar para salvar Jas\u00e3o e os Argonautas.\u00a0Enquanto o rei de C\u00f3lquida recolhia os peda\u00e7os do seu filho, a nau Argos fugiu.<\/p>\n<p>Durante a longa viagem de volta Jas\u00e3o\u00a0teve 2 filhos com Med\u00e9ia.\u00a0Quando retornaram, mesmo trazendo o velocino de ouro P\u00e9lias se recusou a entregar o trono. Assim Med\u00e9ia tramou\u00a0matar P\u00e9lias, convencendo \u00e0s filhas dele para esquartej\u00e1-lo e coloc\u00e1-lo num caldeir\u00e3o e assim ele rejuvenesceria.\u00a0Mas quando finalmente Jas\u00e3o tomou posse do trono, ele se apaixonou por outra mulher. Repudiada e cheia de \u00f3dio, Med\u00e9ia\u00a0enviou um vestido m\u00e1gico para a amante de Jas\u00e3o, cujo tecido impregnado de veneno matou a amante de Jas\u00e3o. Al\u00e9m\u00a0disso, em sua vingan\u00e7a, envenenou os filhos da amante e lan\u00e7ou sobre Jas\u00e3o uma terr\u00edvel maldi\u00e7\u00e3o, de que morreria de\u00a0forma violenta.<\/p>\n<p>Jas\u00e3o foi considerado indigno de ocupar o trono e foi deposto pelo povo. As filhas de P\u00e9lias, orientadas por Med\u00e9ia,\u00a0ressuscitaram o pai que reassumiu o trono. Mas a profecia de Medeia se cumpriria: quando Jas\u00e3o inspecionava as obras\u00a0de manuten\u00e7\u00e3o em sua nave Argo, morreu sob o peso de uma viga de madeira que despencou de um mastro e esmagou\u00a0sua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Chegando em Atenas, Med\u00e9ia casou com o rei Egeu e dessa uni\u00e3o nasceu o filho Medo. Egeu era pai de Teseu mas n\u00e3o\u00a0conhecia o filho. Quando Teseu chegou em Atenas, Med\u00e9ia tentou envenen\u00e1-lo, mas Egeu descobriu a trama e impediu que o\u00a0filho fosse assassinado. Med\u00e9ia foi expulsa do seu reino e nada mais lhe restava sen\u00e3o retornar para C\u00f3lquida.\u00a0Quando Med\u00e9ia descobriu que seu pai havia sido deposto do reino e morto por seu tio Perses, Medeia e Medo expulsaram Perses. Recuperando o trono, Medo se tornou rei.<\/p>\n<div>\n<p>*********************<\/p>\n<div>O mito de Med\u00e9ia apresenta o retrato psicol\u00f3gico de uma mulher carregada de amor e \u00f3dio a um s\u00f3 tempo. Ela \u00e9\u00a0apresentada como um tipo de personagem na trag\u00e9dia grega como esposa repudiada, abandonada e estrangeira\u00a0perseguida. Ela se rebela contra o mundo que a rodeia, rejeitando o conformismo tradicional e tomada de f\u00faria terr\u00edvel,\u00a0ela assume a vingan\u00e7a como meta para automodificar-se e usa seu poder de persuas\u00e3o e suas palavras como armas.<\/div>\n<\/div>\n<p>A juventude impetuosa de Jas\u00e3o o fazia aceitar todas as miss\u00f5es consideradas dif\u00edceis, ou seja, ele se sentia atraido\u00a0pelos desafios e obst\u00e1culos, dando mais valor \u00e0s impossibilidades de suas aventuras. Med\u00e9ia, apresentada como\u00a0feiticeira, muitas vezes ligada \u00e0 deusa H\u00e9cate &#8211; deusa da bruxaria, na verdade simboliza a mulher jovem que, apesar da\u00a0juventude, j\u00e1 dominou seus impulsos e aprendeu a dominar a arte de viver e resolver problemas, mesmo aqueles dificeis.<\/p>\n<p>Vista como uma das figuras femininas mais impressionantes da dramaturgia universal, Med\u00e9ia narra o drama da\u00a0mulher que deixa tudo: sua p\u00e1tria, sua fam\u00edlia e seus sonhos para seguir ao lado de um grande amor. Jas\u00e3o era o seu\u00a0objeto amado e de sua extrema dedica\u00e7\u00e3o. Ela era capaz de qualquer atitude para atender os interesses e caprichos do\u00a0seu amado.<\/p>\n<p>Com sua maturidade, ao facilitar os caminhos e resolver todos os problemas de Jas\u00e3o, Med\u00e9ia foi abandonada, pois\u00a0Jas\u00e3o n\u00e3o encontrava mais desafios e aventuras. Med\u00e9ia tinha todas as respostas, mas Jas\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o encontrava desafios\u00a0a vencer. Jas\u00e3o vivia ansioso pelas aventuras e Med\u00e9ia lhe oferecia a estabilidade de um trono onde ele j\u00e1 n\u00e3o\u00a0encontrava est\u00edmulos variados. De fato, Medeia tivera sido apenas parte de suas aventuras. Inconformada, Medeia quis\u00a0vingar-se.<\/p>\n<p>Em alguns casos, m\u00e3es que n\u00e3o se recuperam dos efeitos da gravidez podem sofrer de algum transtorno mental que a\u00a0leva a maltratar seu filho recem-nascido. Em outros casos, s\u00e3o os filhos ileg\u00edtimos indesejados que se tornam v\u00edtimas de\u00a0crueldade. H\u00e1 ainda outro fato cruel, \u00e9 aquele em que o \u00f3dio \u00e9 deslocado para as crian\u00e7as como forma de retalia\u00e7\u00e3o.\u00a0Essas crueldades s\u00e3o denominadas como Complexo de Medeia.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o raros os casos daqueles que para vingar-se,\u00a0maltratam seus pr\u00f3prios filhos ou os enteados como uma forma de provocar uma imensa dor em quem o rejeitou.\u00a0O Complexo de Med\u00e9ia \u00e9 encontrado tanto nos filmes como na vida real, no qual aquele que foi rejeitado direciona sua\u00a0aten\u00e7\u00e3o furiosa para a nova parceira ou novo parceiro do seu ex-amor como tamb\u00e9m \u00e0s crian\u00e7as envolvidas na trama. A\u00a0hist\u00f3ria do relacionamento dos pais tende a revelar um ambiente hostil, cheio de conflitos, com atos violentos de um ou\u00a0ambos, sendo uma das principais motiva\u00e7\u00f5es para os conflitos e o assassinato, o ci\u00fame e suspeitas de infidelidade.<\/p>\n<p>A retalia\u00e7\u00e3o por parte dos homens parece ser uma extens\u00e3o natural de seu poder e controle sobre a fam\u00edlia e o\u00a0relacionamento sexual. Quando a mulher abandona o homem para iniciar ou n\u00e3o outro relacionamento, ele percebe isso como um desafio \u00e0 sua autoridade e\u00a0masculinidade. Os homens s\u00e3o muito mais propensos \u00e0\u00a0retalia\u00e7\u00e3o do que as mulheres. Al\u00e9m disso, os homens apresentam maior probabilidade de causar inj\u00farias mais s\u00e9rias.\u00a0As mulheres apresentam comportamento retaliador devido ao ressentimento, pela falta de poder no relacionamento.<\/p>\n<p>Quando acontecem os div\u00f3rcios, alguns pais ou m\u00e3es iniciam um processo de destrui\u00e7\u00e3o do ex-parceiro ou parceira.\u00a0Sofrendo de uma esp\u00e9cie de Complexo de Med\u00e9ia, para fazer o outro sofrer, passam a matar emocionalmente e\u00a0psicologicamente os filhos. Assim, dificultam o relacionamento entre o pai ou a m\u00e3e com os filhos, interferem, mentem,\u00a0escondem, manipulam at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o as mentes e emo\u00e7\u00f5es dos filhos e ainda se fazem de v\u00edtimas.\u00a0O fato \u00e9 que tais atitudes interferem negativamente no desenvolvimento da crian\u00e7a mas isso n\u00e3o parece fazer parte das\u00a0preocupa\u00e7\u00f5es dos modernos pais e m\u00e3es Med\u00e9ias.<\/p>\n<p>Uma m\u00e3e que p\u00f5e as suas crian\u00e7as contra o pai delas ou o pai que as coloca contra\u00a0a m\u00e3e, provavelmente ter\u00e1, pelo menos, comportamentos paran\u00f3icos de uma estrutura de personalidade psic\u00f3tica ou\u00a0borderline. Por n\u00e3o conseguir lidar com a perda, permanece com uma liga\u00e7\u00e3o ao ex-marido ou ex-esposa num \u00edntimo\u00a0sentimento de \u00f3dio e mant\u00e9m as crian\u00e7as amarradas por um profundo sentimento de lealdade consigo.<\/p>\n<p>Parceiros e parceiras rejeitados podem usar os filhos para despertar compaix\u00e3o ou us\u00e1-los como mini-espi\u00f5es para lhes\u00a0relatar a nova vida do ex-marido ou da ex-esposa. Para alimentar o \u00f3dio que sente, usam os filhos como fantoches e\u00a0incitam os filhos a despertar ci\u00fames. Os filhos se tornam extens\u00e3o de seus tent\u00e1culos e podem at\u00e9 mesmo us\u00e1-los para\u00a0atrapalhar o novo relacionamento, usando o filho como um gancho para manter uma liga\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia do\u00a0ex-parceiro ou parceira, impondo sua presen\u00e7a em qualquer esfera onde possa penetrar. Expor os filhos a tamanha\u00a0carga psicol\u00f3gica e desgaste pode causar grande desorienta\u00e7\u00e3o nas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Outro aspecto do mito que realmente \u00e9 bastante t\u00edpico dos casos reais \u00e9 a hist\u00f3ria de abuso f\u00edsico e emocional no\u00a0relacionamento: a viol\u00eancia dom\u00e9stica que n\u00e3o se restringe apenas \u00e0s agress\u00f5es f\u00edsicas, mas principalmente \u00e0s atitudes\u00a0de humilha\u00e7\u00e3o que um c\u00f4njuge submete o outro. Em muitos casos, as mulheres submetidas \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica\u00a0preferem o sil\u00eancio do que enfrentar o homem por meio de a\u00e7\u00f5es judicais esperando que a situa\u00e7\u00e3o algum dia se\u00a0amenize. Na maioria dos casos, \u00e9 apenas uma perversa ilus\u00e3o.<\/p>\n<p>No mundo atual, muitas pessoas vivem rela\u00e7\u00f5es irreais e seguem iludidas. A longo prazo poder\u00e3o descobrir que mais\u00a0vale uma triste certeza do que uma prazerosa ilus\u00e3o, pois, diante de uma certeza, toma-se decis\u00f5es de mudan\u00e7as;\u00a0diante de uma prazerosa ilus\u00e3o, segue-se perseguindo uma utopia&#8230;<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div><a href=\"https:\/\/eventosmitologiagrega.blogspot.com\/2011\/07\/medeia-um-complexo-destrutivo.html\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Med\u00e9ia, um complexo destrutivo &#8211; Mitologia Grega<\/h3>\n<div style=\"text-align: justify;\"><cite>eventosmitologiagrega.blogspot.com\u00a0<\/cite><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/encrypted-tbn0.gstatic.com\/images?q=tbn%3AANd9GcQ5Ra5ScM8hgvoIZe6ZJse1HojEIoKrjWpnHQ&amp;usqp=CAU\" alt=\"Med\u00e9ia - Eur\u00edpedes\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"CENTER\"><b><span style=\"color: #000000;\">O MITO DE MEDEIA: QUANDO OS PAIS MATAM SEUS FILHOS<\/span><br \/>\n<\/b><\/p>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Medeia \u00e9 uma personagem da mitologia grega, descrita extensivamente na pe\u00e7a Medea, de Eur\u00edpedes e no mito de Jas\u00e3o e os Argonautas. Medeia era uma mortal filha do rei\u00a0da C\u00f3lquida, e neta do deus do sol Helio. Em diversos mitos Medeia \u00e9 descrita como uma feiticeira, muitas vezes ligada \u00e0 deusa H\u00e9cate (deusa da bruxaria e das encruzilhadas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria desta mulher inicia-se com a chegada do her\u00f3i Jas\u00e3o a C\u00f3lquida, para obter o Velo de Ouro (a l\u00e3 de ouro do carneiro alado Cris\u00f3malo) necess\u00e1rio para sua volta ao trono da Tess\u00e1lia. Medeia apaixona-se por Jas\u00e3o e promete ajudar-lhe, com a condi\u00e7\u00e3o de que se ele obter o Velo de Ouro, os dois se casem. Para que Jas\u00e3o obtenha o poderoso Velo, ele teve de realizar certas tarefas. A primeira delas consistia em lavrar um campo com dois touros gigantecos, de cascos de bronze e que expeliam fogo pelas narinas. Medeia deu-lhe um unguento para proteger a si\u00a0e suas armas do fogo. A segunda tarefa consistia em semear um campo lavrado com dentes de um drag\u00e3o. Dos dentes nasceu um ex\u00e9rcito de violentos guerreiros mas Jas\u00e3o havia sido alertado por Medeia, que lhe aconselhou a jogar uma pedra no meio deles. Sem saber de onde veio a agress\u00e3o, os soldados atacaram-se uns aos outros. Finalmente Jas\u00e3o deveria matar um drag\u00e3o insone que guardava o Velo. Medeia colocou a besta para dormir, utilizando\u00a0poderosas ervas narc\u00f3ticas. Jas\u00e3o ent\u00e3o tomou o Velo de Ouro e foi-se embora com Medeia, conforme prometido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para garantir sua fuga, Medeia matou seu irm\u00e3o Apsirto e desmembrou-o pelo caminho, sabendo que seu pai ficaria devastado com a perda e pararia para coletar os restos do filho, garantindo-lhe um funeral adequado. Desta forma, Medeia e Jas\u00e3o conseguem embarcar na nau Argos e fugir da C\u00f3lquida. Ap\u00f3s diversas aventuras e muita crueldade (por parte dos dois), o casal chega a Corinto, onde Jas\u00e3o se apaixona pela filha do rei, Gl\u00e1ucia, e abandona Medeia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pe\u00e7a de Eur\u00edpedes, Jas\u00e3o confronta Med\u00e9ia e tenta explicar-se, dizendo que n\u00e3o poderia deixar passar a oportunidade de se casar com uma princesa, enquanto que Med\u00e9ia \u00e9 apenas uma mulher b\u00e1rbara e conta-lhe que pretende juntar suas duas fam\u00edlias mantendo-a como sua amante. Ela lembra-lhe que deixou sua fam\u00edlia para tr\u00e1s para segu\u00ed-lo e salvou-lhe a vida diversas vezes. Ela fica desolada e resolve vingar-se enviando a Gl\u00e1ucia um vestido e uma pequena coroa envenenados, o que resulta na morte da princesa e do rei, que correu para acud\u00ed-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cega de dor e de \u00f3dio, Med\u00e9ia decide matar seus filhos tamb\u00e9m, com o intuito de\u00a0causar o m\u00e1ximo de dor a Jas\u00e3o. Na pe\u00e7a, ela sai do palco para buscar uma faca e os gritos dos meninos s\u00e3o ouvidos nos bastidores. Jas\u00e3o corre para vingar-se, mas v\u00ea Medeia \u00e0 dist\u00e2ncia, em uma carruagem dourada enviada por seu av\u00f4, H\u00e9lio, deus do Sol, a dizer: &#8220;<i>Eu nem mesmo deixo-te os corpos dos nossos fihos; eu os levo comigo para enterrar. E para v\u00f3s, que me fizeste todo o mal, eu profetizo uma maldi\u00e7\u00e3o final<\/i>.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Med\u00e9ia\u00a0passa ainda por muitas aventuras e o filic\u00eddio, de certa forma, fica sem ser vingado nos mitos gregos que lhe dizem respeito. Mesmo o fratric\u00eddio cometido \u00e9 de certa forma perdoado quando ela retorna \u00e0 C\u00f3lquida e ajuda seu pai a retornar ao trono, que tinha-lhe sido usurpado pelo tio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este mito me veio \u00e0 mem\u00f3ria ap\u00f3s acompanhar nos notici\u00e1rios ingleses\u00a0o julgamento de\u00a0Petros Williams, um pai que matou seus filhos em um acesso de raiva e o caso Nardoni no Brasil.\u00a0Petros Williams descobriu que sua ex-mulher estava a namorar online e, num acesso de ci\u00fames, estrangulou os dois filhos com os cabos do computador e tentou matar-se com uma overdose de medicamentos. Ele foi recentemente condenado a 28 anos de pris\u00e3o. Infelizmente estes exemplos n\u00e3o s\u00e3o singulares ou raros. Casos de filic\u00eddio, seja pelo pai ou pela m\u00e3e povoam as p\u00e1ginas policiais de qualquer pa\u00eds, sendo talvez mais predominantes em algumas culturas do que outras (como na China e em pa\u00edses nos quais o nascimento de uma menina \u00e9 visto com maus olhos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de iniciar a an\u00e1lise do mito e dos filic\u00eddios reais, cabe uma an\u00e1lise dos termos filic\u00eddio, neonatic\u00eddio e infantic\u00eddio, muitas vezes utilizados de forma intercambi\u00e1vel na literatura do homic\u00eddio infantil. Bourget et al. (2007) caracteriza filic\u00edcio como o assassinato de uma crian\u00e7a por um dos pais, enquanto neonatic\u00eddio caracteriza o assassinato de um rec\u00e9m-nascido no dia do nascimento. Embora infantic\u00eddio seja corriqueiramente utilizado em refer\u00eancia a homic\u00eddio infantil, o termo tem implica\u00e7\u00f5es m\u00e9dico-legais, e se aplica especificamente ao assassinato de crian\u00e7as menores de 12 meses de idade por uma m\u00e3e que n\u00e3o se recuperou completamente dos efeitos da gravidez e lacta\u00e7\u00e3o, sofrendo em algum grau de transtornos mentais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/2.bp.blogspot.com\/-Ib_29waUVDY\/T8i3Z-DPvyI\/AAAAAAAADlE\/51qU9J6d5HQ\/s1600\/medea14.png\" alt=\"Luciene Felix - Conhecimento Sem Fronteiras: MEDEIA e a Trag\u00e9dia ...\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diversos autores analisaram o filic\u00eddio, tentando dissec\u00e1-lo e caracteriz\u00e1-lo (Bourget et al. 2007, Farouque 2003, Resnick 1969, Wilczynski 1995):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Filic\u00eddio altru\u00edsta<\/b><br \/>\nUm dos pais tenta livrar a crian\u00e7a de sofrimento real ou imaginado, geralmente acompanhado de suic\u00eddio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Filic\u00eddio psic\u00f3tico<\/b><br \/>\nUm dos pais mata a crian\u00e7a sob influ\u00eancia de doen\u00e7a mental grave<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Filic\u00eddio do filho indesejado<\/b><br \/>\nA v\u00edtima nunca foi ou n\u00e3o \u00e9 mais desejada pelos pais. Geralmente cometido em circunst\u00e2ncias de filhos ileg\u00edtimos ou paternidade incerta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Filic\u00eddio acidental<\/b><br \/>\nMorte sem dolo\u00a0secund\u00e1ria a abuso infantil<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Filic\u00eddio de retalia\u00e7\u00e3o (Wilczynski, 1995)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No qual o \u00f3dio a uma pessoa \u00e9 deslocada \u00e0 crian\u00e7a. \u00c9 o caso de Medeia e de muitos outros encontrados nas p\u00e1ginas policiais (como o descrito acima, na Inglaterra). A pessoa alvo dos sentimentos de \u00f3dio e do filic\u00eddio \u00e9 em geral o parceiro do perpetrador. Como a fonte de ang\u00fastia nos filic\u00eddios de retalia\u00e7\u00e3o \u00e9 o parceiro sexual do perpetrador, estes assassinatos s\u00e3o denominados &#8220;Complexo de Medeia&#8221;. Mas qu\u00e3o t\u00edpico s\u00e3o os filic\u00eddios da vida real, quando comparados ao caso prot\u00f3tipo de Medeia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mito e o Complexo de Medeia certamente s\u00e3o populares e encontrados de forma recorrente na fic\u00e7\u00e3o, em estere\u00f3tipos como o ditado americano &#8220;<i>hell hath no fury like a woman scorned<\/i>&#8221; (n\u00e3o existe f\u00faria como a de uma mulher tra\u00edda). Exemplos na fic\u00e7\u00e3o s\u00e3o encontrados no filme\u00a0<i>Atra\u00e7\u00e3o Fatal<\/i>\u00a0(<i>Fatal Attraction<\/i>), no qual a amante rejeitada direciona sua aten\u00e7\u00e3o assassina ao ex-amante, sua mulher, filha e at\u00e9 mesmo ao coelhinho de estima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, segundo Wilczynski (1995), homens e n\u00e3o mulheres s\u00e3o muito mais propensos a cometer assassinatos de retalia\u00e7\u00e3o. Homens e mulheres tendem a matar seus filhos por raz\u00f5es bastante diferentes: homens s\u00e3o geralmente associados a retalia\u00e7\u00e3o, disciplina ou rejei\u00e7\u00e3o por parte da v\u00edtima. As mulheres, por outro lado, matam pois o filho n\u00e3o era desejado (tipicamente neonatic\u00eddio, cuja m\u00e3e escondeu a gravidez);\u00a0 porque o assassinato foi percebido como\u00a0melhor escolha\u00a0para crian\u00e7a (filic\u00eddio altru\u00edsta); ou porque a m\u00e3e estava em estado psic\u00f3tico no momento do crime.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Bourget (2007), o filic\u00eddio de retalia\u00e7\u00e3o por parte da m\u00e3e \u00e9 raro e \u00e9 mais cometido por mulheres com transtornos de personalidade e hist\u00f3ria de tentativas de suic\u00eddio. Tamb\u00e9m parece haver rela\u00e7\u00e3o entre o sexo da v\u00edtima, sendo que filhas s\u00e3o mais provavelmente assassinadas em filic\u00eddios altru\u00edstas e filhos em filic\u00eddios de retalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria do relacionamento dos pais tende a revelar um ambiente hostil, cheio de conflitos, com atos violentos de um ou ambos os parceiros, sendo uma das principais motiva\u00e7\u00f5es para os conflitos e o assassinato o ci\u00fame e suspeitas de infidelidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A retalia\u00e7\u00e3o por parte dos homens parece ser uma extens\u00e3o natural de seu poder e controle sobre a fam\u00edlia e o relacionamento sexual. As atitudes das mulheres s\u00e3o percebidas por estes homens como um desafio \u00e0 sua autoridade e masculinidade ao deix\u00e1-los e ao iniciar relacionamentos com outros homens. De forma oposta, as mulheres, segundo Wilczynski, apresentam\u00a0comportamento retaliador devido ao ressentimento pela falta de poder no relacionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Especificamente no que tange ao &#8220;Complexo de Medeia&#8221;, Farooque relata que o mesmo foi descrito no auge da psican\u00e1lise (1944) como\u00a0o &#8220;<i>\u00f3dio inconsciente de uma m\u00e3e por sua filha que amadurece, vista como uma rival em potencial<\/i>.&#8221; Mesmo na \u00e9poca \u00e1urea da psican\u00e1lise o construto passou por diversas cr\u00edtcas pois, para come\u00e7ar, Medeia n\u00e3o teve filhas, mas filhos com Jas\u00e3o e estes autores se apoiavam em construtos irrefut\u00e1veis e tautol\u00f3gicos iniciados em Freud (ex. a exist\u00eancia de impulsos filicidas\u00a0em todas as m\u00e3es). Farooque argumenta que ao final do s\u00e9culo 20 \u00e9 aparente que estes construtos ajudaram muito pouco no entendimento da etiologia do filic\u00eddio e apenas distra\u00edram investigadores cient\u00edficos de fatores mais mundanos e pr\u00e1ticos como uso de drogas ou capacidade intelectual do perpetrador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Ataques a outras pessoas<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro aspecto incomum do mito de Medeia, que parece n\u00e3o ter correla\u00e7\u00e3o com as m\u00e3es que cometem filic\u00eddios no mundo real \u00e9 a viol\u00eancia direcionada a outras pessoas (como \u00e0 seu irm\u00e3o e \u00e0 princesa Gl\u00e1ucia, no mito). De acordo com a literatura \u00e9 muito mais prov\u00e1vel que homens apresentem este comportamento, com cerca de um sexto dos perpetradores tendo apresentado comportamento violento direcionado a outras pessoas na \u00e9poca do filic\u00eddio ou descrito impulsos para viol\u00eancia. Al\u00e9m disso, os homens apresentavam maior probabilidade de causar inj\u00farias mais s\u00e9rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um aspecto do mito que realmente \u00e9 bastante t\u00edpico dos casos reais \u00e9 a hist\u00f3ria de abuso f\u00edsico e emocional no relacionamento. Na pe\u00e7a de Eur\u00edpedes, Jas\u00e3o humilha Medeia e a rebaixa de esposa a amante, chamando-a de b\u00e1rbara e inferiorizando-a em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 Gla\u00facia (abuso emocional). A porcentagem de mulheres filicidas abusadas nos relacionamentos \u00e9 contradit\u00f3ria na literatura, variando de um ter\u00e7o das amostras investigadas a 80%. Em contraste, poucos homens filicidas relatam terem sofrido viol\u00eancia dom\u00e9stica, embora muitos tenham sido apontados como maridos violentos anteriormente ao assassinato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diversos outros fatores devem ser considerados na an\u00e1lise de filic\u00eddios, como a exist\u00eancia de transtornos mentais graves do Eixo I, cultura (\u00edndios da Amaz\u00f4nia, por exemplo, costumam matar crian\u00e7as com debilidades ou problemas f\u00edsicos), religi\u00e3o (como a descri\u00e7\u00e3o b\u00edblica de \u00a0Abra\u00e3o a se preparar para matar Isaac, seu filho,\u00a0para provar sua fidelidade a Deus em Genesis 22:1-24)<i>\u00a0<\/i>e outros que n\u00e3o foram alvos de estudo nesta revis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim,\u00a0o mito de Medeia \u00e9 uma hist\u00f3ria fascinante de completa dedica\u00e7\u00e3o a um amor e de esc\u00f3rnio, humilia\u00e7\u00e3o e assassinato. Embora o mito seja bastante aleg\u00f3rico e possa ser considerado um caso prot\u00f3tipo de filic\u00eddio, \u00e9 relativamente raro que mulheres sejam as perpetradoras de filic\u00eddio de retalia\u00e7\u00e3o ou que as m\u00e3es filicidas tenham antecedentes de\u00a0viol\u00eancia a\u00a0terceiros. Embora o mito de Medeia seja poderoso na descri\u00e7\u00e3o de um filic\u00eddio motivado por ci\u00fame e rejei\u00e7\u00e3o, ele \u00e9 apenas isto, um mito, n\u00e3o encontrando resson\u00e2ncia nos casos reais analisados na literatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: www.polbr.med.br\u00a0\u203a<\/p>\n<h3>MEDEIA &#8211; PSYCHIATRY ON LINE BRAZIL<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.polbr.med.br\/ano10\/art0810.php\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/thumbs.jusbr.com\/imgs.jusbr.com\/publications\/images\/d845fa3dc9983ad5a55a1921bf38189e\" alt=\"A ALIENAO PARENTAL E O MITO DE MEDEIA Aquino Neiva\" \/><\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Tiago Iorc, DUDA BEAT - Tangerina (Ao Vivo)\" width=\"584\" height=\"329\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5ZBQKrBDids?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Nota&#x2663;<span style=\"color: #000000; font-weight: bold;\">Contudo, \u00e0s vezes a verdade est\u00e1 com aqueles que enlouqueceram.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0&#8220;O que uma \u00e9poca percebe como mal \u00e9 geralmente uma resson\u00e2ncia an\u00e2cronica daquilo que um dia foi considerado bom-o atavismo de um antigo ideal. O que se faz por amor sempre acontece al\u00e9m do bem e do mal&#8221;. Mitologia Grega &hellip; <a href=\"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/?p=9778\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"quote","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,522,515],"tags":[119,459],"class_list":["post-9778","post","type-post","status-publish","format-quote","hentry","category-assuntos-diversos","category-mpb","category-trilha-sonora","tag-filosofia","tag-grandes-temas","post_format-post-format-quote"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9778","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9778"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9778\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19068,"href":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9778\/revisions\/19068"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9778"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9778"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9778"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}