{"id":12064,"date":"2021-08-02T12:35:41","date_gmt":"2021-08-02T12:35:41","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/?p=12064"},"modified":"2025-04-15T09:44:43","modified_gmt":"2025-04-15T09:44:43","slug":"amor-na-era-dos-aplicativos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/?p=12064","title":{"rendered":"Amor na era dos aplicativos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" style=\"font-weight: 300;\" src=\"https:\/\/localhost\/memorias\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Amor_na_era_dos_aplicativos_12064_1.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<pre>\u201cA gente nasce e morre sozinho, ningu\u00e9m pode pegar na nossa m\u00e3o. Agora, no meio do caminho..isso j\u00e1 \u00e9 outra hist\u00f3ria.\u201d<\/pre>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p dir=\"ltr\">As rela\u00e7\u00f5es humanas, e principalmente os mecanismos de relacionamento, invariavelmente se modificam com o tempo. Os v\u00ednculos amorosos n\u00e3o fogem \u00e0 regra. A evolu\u00e7\u00e3o do mundo digital encurtou as dist\u00e2ncias, inundou o mercado de possibilidades e aproximou as pessoas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O Tinder (maior aplicativo de pareamento do mundo) exibe em seu site que mais de 10 bilh\u00f5es de combina\u00e7\u00f5es j\u00e1 foram formadas, com mais 26 milh\u00f5es acontecendo diariamente. Por um lado, a eclos\u00e3o dos sites e aplicativos de pareamento reformou os padr\u00f5es de relacionamento. Por outro, suscitou questionamentos sobre a fluidez e profundidade dos la\u00e7os constru\u00eddos atrav\u00e9s destes mecanismos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Thiago de Almeida, psic\u00f3logo e mestre pelo Instituto de Psicologia da USP (IP-USP), por exemplo, acredita que \u201cvivemos a era do amor l\u00edquido, dos relacionamentos digitais, da facilidade na comunica\u00e7\u00e3o e nas rela\u00e7\u00f5es\u201d. Segundo ele, a abund\u00e2ncia de pretendentes e agilidade com que se obt\u00eam informa\u00e7\u00f5es sobre os pares fragiliza a forma\u00e7\u00e3o de elos duradouros: \u201cA acessibilidade \u00e0s redes sociais faz com que se conhe\u00e7am mais pessoas e as rela\u00e7\u00f5es tornem-se mais f\u00e1ceis, menos comprometidas\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Almeida acredita que as possibilidades praticamente inesgot\u00e1veis tornam o pr\u00f3prio processo de aproxima\u00e7\u00e3o entre as pessoas superficial. \u201cA ordem \u00e9 conhecer sempre mais e mais pessoas at\u00e9 encontrar aquela que vai nos interessar\u201d, completa.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Realidade vs Expectativa<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ainda sobre este processo de \u201csele\u00e7\u00e3o\u201d de parceiros, Jaroslava Varella Valentova, professora do IP-USP, compara os relacionamentos virtuais e os reais. Ela aponta uma diferen\u00e7a clara e muito importante que segrega os dois processos: nos encontros presenciais, primeiramente as pessoas se conhecem para depois captar informa\u00e7\u00f5es sobre o outro. Nos virtuais, acontece justamente o aposto: o parceiro \u00e9 selecionado com base em suas caracter\u00edsticas e s\u00f3 depois disso um encontro \u00e9 marcado.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Outra diferen\u00e7a, segundo Jaroslava, se d\u00e1 na confiabilidade das informa\u00e7\u00f5es divulgadas nos aplicativos. Nos meios digitais, \u00e9 f\u00e1cil ocultar alguns fatos ou distorc\u00ea-los para influenciar o par. \u201cS\u00f3 que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil mentir pessoalmente, porque a maioria da comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o-verbal. E controlar os gestos, a m\u00edmica, \u00e9 quase imposs\u00edvel\u201d, conclui a professora.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Apesar de uma parcela consider\u00e1vel das pessoas que usam este tipo de aplicativo estar procurando rela\u00e7\u00f5es pontuais, muitas buscam relacionamentos s\u00e9rios e duradouros. Passada a fase inicial de aproxima\u00e7\u00e3o entre os usu\u00e1rios, a efic\u00e1cia dos servi\u00e7os \u00e9 questionada sobre a forma\u00e7\u00e3o de casais que permane\u00e7am juntos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Cl\u00e1udia Prioste, especialista na rela\u00e7\u00e3o entre os adolescentes e a internet (o seu livro &#8220;O adolescente e a internet: la\u00e7os e embara\u00e7os no mundo virtual&#8221;, foi rec\u00e9m-lan\u00e7ado pela Edusp)\u00a0e doutora pela Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da USP (FE-USP), ressalta que a possibilidade de arrumar novos parceiros faz com que as pessoas se dediquem menos aos relacionamentos j\u00e1 consolidados. Segundo ela, \u201cna primeira dificuldade, j\u00e1 existem in\u00fameras outras op\u00e7\u00f5es para substituir determinado algu\u00e9m. Isso deixa as pessoas mais indecisas, pensando que sempre podem ter algo melhor. Assim, n\u00e3o investem na rela\u00e7\u00e3o, qualquer frustra\u00e7\u00e3o j\u00e1 basta\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Por outro lado, muitas hist\u00f3rias de casais com longos relacionamentos \u2014\u00a0e que se conheceram atrav\u00e9s destes aplicativos \u2014\u00a0est\u00e3o dispon\u00edveis na internet. O pr\u00f3prio site do Tinder disponibiliza uma s\u00e9rie de relatos de casais formados entre usu\u00e1rios do servi\u00e7o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Entre os que buscam novas experi\u00eancias e relacionamentos pontuais, as hist\u00f3rias de sucesso s\u00e3o ainda mais volumosas. Um estudante de matem\u00e1tica revela, por exemplo, como o Tinder foi o respons\u00e1vel pela sua primeira experi\u00eancia sexual. \u201cEntrei no aplicativo quando estava no segundo ano do ensino m\u00e9dio, por causa de indica\u00e7\u00f5es de amigos, que disseram que era divertido. Uma vez, dei combina\u00e7\u00e3o com uma menina, a gente come\u00e7ou a conversar e marcamos de sair. Depois de quatro encontros, rolou\u201d, conta.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/localhost\/memorias\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Amor_na_era_dos_aplicativos_12064_2.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Perfil<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Segundo dados fornecidos pelo pr\u00f3prio Tinder, os homens s\u00e3o maioria no aplicativo, somando 62%. Quanto a faixa et\u00e1ria, pessoas com idade entre 25 e 34 anos s\u00e3o majorit\u00e1rias e representam 45% dos usu\u00e1rios, seguidos pelas de 16 a 24 anos, que comp\u00f5em 38% do total.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Um dado curioso \u00e9 que as mulheres passam mais tempo no programa (em m\u00e9dia 8,5 minutos, contra 7,2 dos homens), mas escolhem tr\u00eas vezes menos parceiros: apenas 14% frente aos 46% dos homens.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Outro fato \u00e9 que apenas 54% dos usu\u00e1rios s\u00e3o solteiros (30% s\u00e3o casados e 12% est\u00e3o em um relacionamento). Segundo o psic\u00f3logo Thiago de Almeida, as pessoas \u201cacreditam que virtualmente \u00e9 poss\u00edvel conhecer outras pessoas, sem que sintam estar traindo seus parceiros\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-tTATDe4u1Zk\/V3R8gPC0_OI\/AAAAAAAABhw\/V_aqTKb1t-UvG9nx4FaQAkLgw8TzEf0hACKgB\/s1600\/tinder.png\" alt=\"\" width=\"655\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Um grande problema de aplicativos como o Tinder \u00e9 o relativo anonimato. Qualquer pessoa pode criar uma conta e estrutur\u00e1-la da maneira que julgar conveniente, o que permite, por exemplo, que perfis falsos sejam criados e usados para assediar outros usu\u00e1rios.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Para Jaroslava, uma poss\u00edvel solu\u00e7\u00e3o para o problema \u00e9 a cobran\u00e7a de taxas para usar os servi\u00e7os. Segundo ela, isso limita e desestimula a a\u00e7\u00e3o dos assediadores, al\u00e9m de garantir que somente pessoas realmente interessadas em encontrar parceiros se registrem.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Deu match<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Jaroslava lembra que estes sistemas n\u00e3o segregam as minorias LGBT, que podem selecionar pares compat\u00edveis com sua orienta\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Justamente com este intuito de aproximar pessoas com caracter\u00edsticas semelhantes, diversos aplicativos t\u00eam sido criados: LGBTs, evang\u00e9licos, pessoas com mais de 40 anos, obesos, nerds e outros grupos espec\u00edficos j\u00e1 t\u00eam redes voltadas a eles.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Um caso interessante \u00e9 o do Vinder, criado para que pessoas veganas e vegetarianas possam se conhecer. Segundo a criadora do aplicativo, Carolinne Pinheiro, formada em Gest\u00e3o de Pol\u00edticas P\u00fablicas pela USP, existe uma grande demanda para estes servi\u00e7os em alguns grupos restritos. \u201cPercebemos que grande parte dos usu\u00e1rios s\u00e3o universit\u00e1rios e tem idade entre 19 e 24 anos\u201d, explica. Carolinne ainda conta que, logo quando o aplicativo foi criado, recebeu uma proposta de compra, mas recusou. \u201cDepois do\u00a0boom\u00a0inicial, agora j\u00e1 com dois s\u00f3cios, recebemos a segunda proposta de aquisi\u00e7\u00e3o\u201d, complementa.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Outro ponto ben\u00e9fico deste tipo de software \u00e9 a inser\u00e7\u00e3o social de pessoas extremamente t\u00edmidas e retra\u00eddas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A utiliza\u00e7\u00e3o dos aplicativos de pareamento pode ser positiva para estas pessoas, j\u00e1 que, segundo Cl\u00e1udia Prioste, \u201co ser humano, pela repeti\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias, vai criando formas de satisfa\u00e7\u00e3o. Quanto mais tempo eles ficam isolados, mais dif\u00edcil fica para eles se inserirem de volta na vida social\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A psic\u00f3loga elucida que alguns homens passam grande parte de sua vida sem sa\u00edrem de casa e absolutamente afastados do conv\u00edvio social. Este comportamento configura a chamada S\u00edndrome de Hikikomori e, segundo ela, \u201ca tend\u00eancia atual dos pesquisadores \u00e9 achar que esta s\u00edndrome tem uma rela\u00e7\u00e3o direta com a cultura digital\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Mist\u00e9rio<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Com os mais diversos objetivos, as pessoas usam aplicativos de pareamento. E n\u00e3o v\u00e3o parar de usar. Os efeitos pr\u00e1ticos desta mudan\u00e7a de h\u00e1bito social ainda n\u00e3o est\u00e3o claros nem para os desenvolvedores, nem para os especialistas. De qualquer forma, eles concordam em un\u00edssono que se trata de uma renova\u00e7\u00e3o de m\u00e9todo para atingir um mesmo fim.<\/p>\n<p>Jaroslava lembra que os relacionamentos afetivos s\u00e3o complexos e n\u00e3o podem ser explicados por um algoritmo. \u201cAs pessoas acham que sabem o que querem no parceiro, mas a verdade \u00e9 que a escolha n\u00e3o \u00e9 consciente. O amor ainda \u00e9 um mist\u00e9rio\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>Source: https:\/\/www.usp.br\/aunantigo<\/p>\n<\/div>\n<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.usp.br\/aunantigo\/imagens\/online%20dating.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<div>Imagem: Getty Images<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;\">O amor nos tempos do Tinder: Uma an\u00e1lise dos relacionamentos amorosos na contemporaneidade a partir da compreens\u00e3o de adultos e jovens adultos<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">RESUMO<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Em uma sociedade marcada pela efemeridade, descarte e fluidez, os relacionamentos amorosos passaram a ser afetados por estes predicados. Na era do amor l\u00edquido e dos relacionamentos virtuais, os indiv\u00edduos passam a manter v\u00ednculos afrouxados a fim de desfaz\u00ea-los rapidamente. Partindo desta premissa, o presente estudo buscou comparar o discurso de pessoas com idade entre 20 e 25 anos com o de pessoas com idade entre 40 e 45 anos. A metodologia utilizada foi a pesquisa qualitativa, com uso de entrevistas semiestruturadas realizadas com oito participantes. Para a interpreta\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o dos dados obtidos fez-se uso da an\u00e1lise do conte\u00fado de Bardin. Pudemos concluir que a faixa et\u00e1ria \u00e9 um fator relevante na considera\u00e7\u00e3o dos relacionamentos amorosos na contemporaneidade e que a dita liquidez dos relacionamentos n\u00e3o \u00e9 avaliada da mesma forma por todos os indiv\u00edduos considerados no estudo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\"><b>Palavras-chave:<\/b>\u00a0amor, relacionamentos, contemporaneidade, virtual.<\/span><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<hr noshade=\"noshade\" size=\"1\" \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/localhost\/memorias\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Amor_na_era_dos_aplicativos_12064_3.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: medium;\">1 Introdu\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">&#8220;Beijar cem pessoas em um dia&#8221; e &#8220;j\u00e1 havia conquistado 33 mulheres em menos de duas horas&#8221;. Ambas as frases foram retiradas de uma mat\u00e9ria publicada no G1 intitulada &#8220;Jovens tem at\u00e9 meta para beijar na boca em\u00a0<i>point<\/i>\u00a0na Festa do Pe\u00e3o&#8221;. A not\u00edcia denota o quanto o fen\u00f4meno denominado de \u2018ficar&#8217; tornou-se comum entre as pessoas na atualidade. A partir dela \u00e9 poss\u00edvel perceber que, dada a possibilidade de se estabelecer um relacionamento com v\u00e1rias pessoas em um mesmo dia, o modo de se estabelecer um v\u00ednculo amoroso est\u00e1 passando por transforma\u00e7\u00f5es bastante radicais e intensas. Desta forma, a Psicologia n\u00e3o pode se furtar a debru\u00e7ar-se sobre o tema.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/localhost\/memorias\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Amor_na_era_dos_aplicativos_12064_4.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Compreende-se que o conceito de amor \u00e9 um processo constru\u00eddo ao longo do tempo a partir de um contexto social, hist\u00f3rico, religioso, cultural, econ\u00f4mico e pol\u00edtico. Diante disso, percebe-se uma s\u00e9rie de estudos que se debru\u00e7aram a problematizar as altera\u00e7\u00f5es que as pr\u00e1ticas amorosas sofreram no decorrer da hist\u00f3ria (Bauman, 2004; Chaves, 2001; Costa, 1998; Giddens, 1993). Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel encontrar estudos que visam problematizar quest\u00f5es mais contempor\u00e2neas sobre o assunto, tais como, os relacionamentos amorosos e a tecnologia (A. S. M. Dela Coleta, Dela Coleta &amp; Guimar\u00e3es, 2008) e estudos emp\u00edricos sobre relacionamentos entre jovens (Chaves, 2010; Chaves, 2016). Outro estudo na \u00e1rea foi o de Schlosser e Camargo (2014), os autores visaram fazer um levantamento sobre as pesquisas que ocorreram com a tem\u00e1tica do amor e relacionamentos amorosos, datados de 2002 a 2012.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Entre os muitos autores que discorrem sobre o amor, encontramos Simmel (1909\/1993) em sua Filosofia do amor e Barthes (1977\/2003) com seu Fragmentos de um discurso amoroso<i>.\u00a0<\/i>De acordo com Georg Simmel (1909\/1993) o sentimento do amor tem uma associa\u00e7\u00e3o direta com o objeto amado. Assim a pessoa que ama passa a compreender que sua vida \u00e9 unicamente mediada pelo amor de seu amado. O sujeito nessa condi\u00e7\u00e3o, afirma, objetiva unir-se ao amado a fim de tornarem-se uma \u00fanica pessoa. Assim, Simmel analisa o amor a partir de uma paradoxal vis\u00e3o do ego\u00edsmo e da depend\u00eancia, uma vida movida pela alteridade e pela heteronomia, visto que nossa felicidade, atrelada exclusivamente \u00e1 presen\u00e7a do amor, \u00e9 merc\u00ea do amor do outro, que pode ou n\u00e3o corresponder ao nosso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">J\u00e1 para o semi\u00f3logo Rolland Barthes (1977\/2003) no amor h\u00e1 um processo de anula\u00e7\u00e3o pessoal dos amantes, em que dois se tornam um. Alerta tamb\u00e9m para a solid\u00e3o do discurso amoroso na atualidade, das cartas de amor, por exemplo, atropeladas por outros discursos, primordialmente o discurso cient\u00edfico, hipertrofiado e hipervalorizado. Walter Benjamin (1994) \u00e9 outro que ir\u00e1 lamentar a perda do poder do narrador rom\u00e2ntico, sobrepujado pelo efervescente mundo das informa\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas. Percebe-se claramente a diferen\u00e7a e o contraste existentes entre a concep\u00e7\u00e3o de amor dos autores, apresentado como a fus\u00e3o de dois corpos em um e a constitui\u00e7\u00e3o de uma subjetividade partilhada a dois, com a no\u00e7\u00e3o de liquidez dos relacionamentos contempor\u00e2neos, em que n\u00e3o se busca necessariamente este ideal, mas antes temos a vis\u00e3o de relacionamentos ef\u00eameros e hedonistas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Sobre a quest\u00e3o do amor, Freud cita, em Mal-estar na Civiliza\u00e7\u00e3o, que esta \u00e9 a forma do homem de atender ao princ\u00edpio do prazer, ou seja, \u00e9 uma das maneiras que este tem de encontrar a felicidade. Contudo, \u00e9 diante disso que este passa a ser visto por meio de uma efic\u00e1cia limitada, pois a aus\u00eancia do objeto de amor deixa o sujeito no desamparo. Isso \u00e9 notavelmente percebido j\u00e1 que o sujeito nunca est\u00e1 tanto indefeso contra o sofrimento quanto ao fato de estar amando; e nunca se encontra t\u00e3o desamparadamente infeliz do que quando perde seu objeto de amor ou n\u00e3o \u00e9 correspondido, como no caso do jovem Werther, criado por Goethe (1774\/2009), e de tantos outros.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Costa (1998) tem uma concep\u00e7\u00e3o similar ao retratar que o amor pode tanto ser fruto de felicidade quanto fonte de profundo sofrimento. Percebe-se ent\u00e3o que o indiv\u00edduo tem uma necessidade de amar e, simultaneamente, um receio de se ferir. A estrat\u00e9gia contempor\u00e2nea passa a ser o estabelecimento de um prazo de validade pr\u00e9-determinado, um amor com data de vencimento j\u00e1 estabelecida, esses relacionamentos l\u00edquidos acabam sendo marcados por encontros de sexo casuais que recebem a denomina\u00e7\u00e3o de &#8220;fazer amor&#8221; (Carvalho, 2010; Bauman, 2004).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Uma autora em particular lan\u00e7a luzes bastante peculiares sobre o assunto, muito antes que pud\u00e9ssemos imaginar viver no mundo l\u00edquido e vol\u00e1til apontado por Bauman. Para AynRand, romancista e te\u00f3rica de um pragmatismo ultra-radical, musa do movimento chamado de libertarismo ou objetivismo, o amor nada mais \u00e9 do que uma transa\u00e7\u00e3o como outra qualquer. Tal tese pode ser encontrada, por exemplo, em A revolta de Atlas, publicado em 1957 (Rand, 2012). \u00c0 vis\u00e3o altru\u00edsta que encara o amor como doa\u00e7\u00e3o, ren\u00fancia, algo que estaria acima dos interesses pessoais ou mesmo como ferramenta de perpetua\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, Rand contrap\u00f5e a no\u00e7\u00e3o de que o ser humano \u00e9 essencialmente ego\u00edsta e solit\u00e1rio e que deve fazer todo o poss\u00edvel para atingir a felicidade pessoal, independente de qualquer outra vari\u00e1vel (incluindo, evidentemente, o amor ou a considera\u00e7\u00e3o do outro).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/localhost\/memorias\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Amor_na_era_dos_aplicativos_12064_5.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Percebe-se como tal ideia pragm\u00e1tica e objetificante das rela\u00e7\u00f5es humanas \u00e9 o terreno ideal para que frutifique a no\u00e7\u00e3o de que rela\u00e7\u00f5es, inclusive as amorosas, s\u00e3o contratos com um objetivo espec\u00edfico a se cumprir e que, caso o combinado n\u00e3o se cumpra, possam ser imediatamente desfeitos. \u00c9 o que o soci\u00f3logo Ferdinad T\u00f6nnies (T\u00f6nies, 1887\/1957 citado por Defleur &amp; Ball-Rokeach, 1993) denominara a passagem do elo comunit\u00e1rio e tradicional (<i>Gemmeinshaft<\/i>), em que vigoram rela\u00e7\u00f5es cl\u00e2nicas, filiais, sangu\u00edneas e em que o lastro social \u00e9 a palavra para o elo societ\u00e1rio e moderno (<i>Gesselschaft<\/i>), t\u00edpico do mundo industrial, em que rela\u00e7\u00f5es an\u00f4nimas passam a prevalecer (T\u00f6nies, 1887\/1957 citado por Defleur &amp; Ball-Rokeach, 1993). Neste caso, o lastro h\u00e1 de ser o contrato. Tais rela\u00e7\u00f5es, que nascem do mundo do com\u00e9rcio e dos neg\u00f3cios n\u00e3o, tardaram a invadir a esfera privada, reconfigurando para sempre o que se costumava chamar de casamento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/localhost\/memorias\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Amor_na_era_dos_aplicativos_12064_6.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Tendo isso em mente, passamos a nos questionar: Como se constituem os relacionamentos amorosos na contemporaneidade? Que mudan\u00e7as subjetivas somos capazes de identificar? Como analisar e problematizar quest\u00f5es associadas aos relacionamentos amorosos na contemporaneidade? Neste sentido acreditamos que um importante meio de acesso a tais informa\u00e7\u00f5es seria dando voz aos sujeitos em quest\u00e3o. Para tanto, realizamos uma s\u00e9rie de entrevistas semiestruturadas com oito estudantes de gradua\u00e7\u00e3o, com faixa et\u00e1ria entre 20 e 25 anos e outros entre 40 e 45 anos de uma universidade particular da cidade de Fortaleza. O objetivo era o de levantar dados sobre a forma como estes compreendem os relacionamentos amorosos atualmente. Para tanto foram investigadas quest\u00f5es relacionadas ao fen\u00f4meno do ficar, ao namoro, amor, quest\u00f5es de g\u00eanero, casamento, e amor virtual. O aplicativo Tinder, cujo objetivo \u00e9 a busca de poss\u00edveis parceiros para relacionamentos muitas vezes fugazes, embora n\u00e3o seja o foco da pesquisa, aparece no t\u00edtulo do trabalho como forma de tentar definir a \u00e9poca em que vivemos, em que fen\u00f4menos como a corte, o amor rom\u00e2ntico e o enamoramento s\u00e3o muitas vezes substitu\u00eddas por cliques em um aparelho celular.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Para melhor facilitar o entendimento, torna-se necess\u00e1rio discorrer sobre quest\u00f5es pertinentes aos relacionamentos na contemporaneidade. A atual sociedade, que Bauman (2008) denomina de modernidade l\u00edquida, tem como caracter\u00edstica a elimina\u00e7\u00e3o das divis\u00f5es entre consumidor e mercadoria, de tal modo que o consumidor passa a ser um objeto consumido al\u00e9m de tamb\u00e9m ser percebida uma constante fluidez, efemeridade e o r\u00e1pido descarte. Assim, segundo o autor os relacionamentos amorosos tamb\u00e9m acabam sendo perpassados por essas caracter\u00edsticas citadas: consumimo-nos uns aos outros da mesma forma prec\u00e1ria e vol\u00e1til que consumimos bens e servi\u00e7os.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Bauman (2004) ao falar dos relacionamentos amorosos, os descreve como uma mercadoria a ser consumida: &#8220;guiada pelo impulso [&#8230;] tal como outros bens de consumo, ela deve ser consumida instantaneamente (n\u00e3o requer maiores treinamentos nem uma prepara\u00e7\u00e3o prolongada) e usada uma s\u00f3 vez, \u2018sem preconceito&#8217;. \u00c9, antes de mais nada, eminentemente descart\u00e1vel&#8221; (p. 27). O autor ainda reitera que os relacionamentos \u2018novos e aperfei\u00e7oados&#8217;, \u2018de comprometimento\u00a0<i>ligh<\/i>&#8216;, reduzem seu tempo de dura\u00e7\u00e3o para que ele seja o mesmo da satisfa\u00e7\u00e3o que produzem: o compromisso \u00e9 v\u00e1lido at\u00e9 que a satisfa\u00e7\u00e3o desapare\u00e7a ou caia abaixo de um padr\u00e3o aceit\u00e1vel \u2013 e nem um instante a mais (Bauman, 2009, p. 26).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/localhost\/memorias\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Amor_na_era_dos_aplicativos_12064_7.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">\u00c9 importante ressaltar, no entanto, que as teorias de Bauman correm um risco sempre presente em qualquer aporte te\u00f3rico: o da excessiva generaliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se deve, portanto, considerar suas ideias como verdades absolutas e nem mesmo como uma chave de compreens\u00e3o para todo e qualquer relacionamento contempor\u00e2neo. O objetivo aqui \u00e9 perceber uma tend\u00eancia, um fen\u00f4meno que aparece na contemporaneidade e que chama a nossa aten\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o podemos perder de vista que nem todos os relacionamentos atuais se encaixam nesta grade. Percebemos que a mesma sociedade que cria os aplicativos de relacionamento e que faz e desfaz contratos num piscar de olhos \u00e9 aquela em que boa parte das pessoas ainda busca um relacionamento duradouro e significativo e em que o ideal de casamento permanece presente no imagin\u00e1rio de boa parte das pessoas. \u00a0Malgrado o aumento exponencial no n\u00famero de div\u00f3rcios e separa\u00e7\u00f5es, muitas delas acontecidas em quest\u00e3o de semana (ou mesmo dias, no caso de algumas celebridades) ainda \u00e9 consider\u00e1vel o n\u00famero de rela\u00e7\u00f5es est\u00e1veis e duradouras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">De acordo com Rougement (2003), a concep\u00e7\u00e3o de amor na atualidade mant\u00e9m diversas caracter\u00edsticas ocidentais e \u00e9 relativamente recente, surgindo aproximadamente no s\u00e9culo XII. Nesse per\u00edodo diversas concep\u00e7\u00f5es de amor foram estruturadas e tamb\u00e9m dissolvidas. Al\u00e9m de estudos te\u00f3ricos levantados sobre a tem\u00e1tica, a literatura torna-se uma forma de compreender as narrativas sobre o amor, inclusive na contemporaneidade (Borges, 2004). A partir disso \u00e9 poss\u00edvel citar cl\u00e1ssicos hist\u00f3ricos que favorecem essa vis\u00e3o, tais como o mito de Trist\u00e3o e Isolda<i>,\u00a0<\/i>analisado por Rougement (2003) em sua obra A hist\u00f3ria do amor no ocidente ou Os sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe (1774\/2009), citado acima<i>.\u00a0<\/i>Citado como a causa de diversos suic\u00eddios no s\u00e9culo XVIII, estes acabaram por acrescentar um grande conhecimento sobre o amor e relacionamentos amorosos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">\u00c9 interessante ressaltar que at\u00e9 os dias atuais a literatura ainda carrega consigo uma ideia de amor forte, duradouro e capaz de enfrentar todos os males, muito associado com a concep\u00e7\u00e3o do amor rom\u00e2ntico, que mantinha os relacionamentos em seu mais alto grau de \u2018at\u00e9 que a morte nos separe&#8217;, conotando assim, uma uni\u00e3o eterna e um amor infinito. Essa compreens\u00e3o que literatura carrega difere um pouco sobre a compreens\u00e3o que alguns estudiosos trazem sobre o amor, sempre o associando a algo fugaz e passageiro. Contudo, difere das leituras rom\u00e2nticas mais tradicionais por incorporar em sua narrativa algo estritamente contempor\u00e2neo, o &#8220;final feliz&#8221; est\u00e1 assegurado a ambos que entram no relacionamento. Os sujeitos n\u00e3o se veem colocando sua seguran\u00e7a em risco na busca de obter &#8220;sempre mais prazer e sempre mais apraz\u00edvel prazer&#8221;,Bauman (1998, p. 09). Eles sempre se encontram com dois dos bens valiosos na atual sociedade, a liberdade e a seguran\u00e7a. Colocando em pauta as compreens\u00f5es atuais dos relacionamentos e a concep\u00e7\u00e3o da literatura \u00e9 poss\u00edvel perceber o quanto os relacionamentos amorosos revelam sua singularidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/localhost\/memorias\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Amor_na_era_dos_aplicativos_12064_8.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">&#8220;Que n\u00e3o seja imortal, posto que \u00e9 chama, mas que seja infinito enquanto dure&#8221;. Vin\u00edcius de Moraes (1960) exp\u00f5e aqui um pensamento capaz de condensar a nova concep\u00e7\u00e3o de amor do s\u00e9culo XX, inaugurada pela possibilidade de separa\u00e7\u00e3o dos c\u00f4njuges, primeiro pelo desquite e depois pelo div\u00f3rcio. O amor pode at\u00e9 durar, mas se apaga. Mas, tal como a chama, tem que ser vivido em toda a sua plenitude, at\u00e9 queimar-se. Esta frase remente a uma intensidade na viv\u00eancia do amor rom\u00e2ntico, que n\u00e3o ser\u00e1 eterno e duradouro, fato que Bauman (2004) compreende como fragilidade dos v\u00ednculos amorosos. Percebe-se portanto em Vin\u00edcius (tanto na obra quanto na vida), uma profunda fidelidade amorosa: ama-se intensamente, como se o relacionamento fosse deveras infinito, mas quando este termina, h\u00e1 que ser fiel tamb\u00e9m a este sentimento. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, o que se ama n\u00e3o \u00e9 o ser amado, mas antes o pr\u00f3prio amor que se sente. Feito o luto da perda do amor, o\/a amante est\u00e1 pronto\/a a se aventurar novamente no territ\u00f3rio bravio da conquista.<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/localhost\/memorias\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Amor_na_era_dos_aplicativos_12064_9.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Sobre o tema do amor eterno, Bauman ressalta que afinal, a defini\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica do amor como &#8220;at\u00e9 que a morte nos separe&#8221; est\u00e1 decididamente fora de moda [&#8230;] Mas o desaparecimento dessa no\u00e7\u00e3o significa, inevitavelmente, a facilita\u00e7\u00e3o dos testes pelos quais uma experi\u00eancia deve passar para ser chamada de &#8220;amor&#8221;. Em vez de haver mais pessoas atingindo mais vezes os elevados padr\u00f5es de amor, esses padr\u00f5es foram baixados. Como resultado, o conjunto de experi\u00eancias \u00e0s quais nos referimos com a palavra amor expandiu-se muito (2004, p. 19).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: medium;\">M\u00e9todo<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Participantes e Instrumentos<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">A fim de levantar os dados necess\u00e1rios para alcan\u00e7ar os objetivos em quest\u00e3o, buscou-se fazer o uso da metodologia qualitativa, com o uso de entrevistas semiestruturadas a serem tratadas pelo m\u00e9todo da an\u00e1lise de conte\u00fado de Bardin (2012), que visa \u00e0 compreens\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais a partir de amostragens da popula\u00e7\u00e3o (Gerhardt, Ramos, Riquinho &amp; Santos, 2009). Para tanto, foram escolhidos oito estudantes de gradua\u00e7\u00e3o da universidade onde a pesquisa foi realizada. Todas as entrevistas foram conduzidas individualmente, sendo solicitada a permiss\u00e3o para que as mesmas fossem gravadas. Quest\u00f5es como classe social, religi\u00e3o ou ocupa\u00e7\u00e3o profissional n\u00e3o foram utilizados como par\u00e2metros relevantes, vez que o objetivo principal era avaliar a quest\u00e3o da faixa et\u00e1ria como poss\u00edvel vari\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 percep\u00e7\u00e3o dos relacionamentos amorosos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">A idade foi um dado de suma import\u00e2ncia para a realiza\u00e7\u00e3o da pesquisa, por ser o presente estudo de cunho comparativo. Desta forma, os participantes foram separados em dois grupos, o primeiro \u00e9 caracterizado pela numera\u00e7\u00e3o 01 e composto por quatro pessoas, dois homens e duas mulheres, com idade entre 20 e 25 anos. O segundo grupo, caracterizado pela numera\u00e7\u00e3o 02, ficou organizado da mesma forma, tendo como \u00fanica modifica\u00e7\u00e3o a idade dos participantes, situada na faixa entre 40 e 45 anos. A fim de coletar os dados de uma maneira igualit\u00e1ria entre os g\u00eaneros optou-se pela divis\u00e3o exata entre homens e mulheres.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">O estado civil dos entrevistados foi perguntado. No primeiro grupo, dentre os homens, havia um solteiro e um namorando e, dentre as mulheres, uma solteira e uma noiva. No segundo grupo, um dos homens estava casado e outro solteiro e, uma mulher casada e outra noiva. Percebe-se ent\u00e3o que a grande maioria dos entrevistados estava em um relacionamento s\u00e9rio no momento da pesquisa. Ressalta-se que a orienta\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o foi levada em considera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Por ser uma entrevista semiestruturada, foi feito um pequeno roteiro de perguntas para guiar os entrevistadores. Todas as perguntas foram feitas a todos os entrevistados. No total foram realizadas 20 perguntas para cada um dos entrevistados (Ver Ap\u00eandice 1). As tem\u00e1ticas destas envolvem quest\u00f5es relativas a compreens\u00e3o dos relacionamentos na contemporaneidade, relacionamentos online, sexo e amor, casamento, quest\u00f5es de g\u00eanero, relacionamentos e felicidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.e-publicacoes.uerj.br\/index.php\/revispsi\/article\/viewFile\/34770\/24560\/116143\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: medium;\">Procedimento<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Em busca de compreender os dados que foram obtidos nas entrevistas, utilizou-se a an\u00e1lise do conte\u00fado tal como postulada por Bardin (2012), que tem como objetivo interpretar, atrav\u00e9s de diversas t\u00e9cnicas, o conte\u00fado das comunica\u00e7\u00f5es, cabendo ao pesquisador categorizar as unidades que se repetem no discurso dos entrevistados, gerando assim representa\u00e7\u00f5es das mesmas (Bardin, 2012; Caregnato &amp; Mutti, 2006).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Considera\u00e7\u00f5es \u00e9ticas<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">A pesquisa foi submetida e aprovada pelo Co\u00e9tica, \u00f3rg\u00e3o encarregado pela avalia\u00e7\u00e3o das implica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas de pesquisas feitas com seres humanos na Universidade de Fortaleza. O parecer consubstanciado foi submetido pela Plataforma Brasil e o n\u00famero do parecer \u00e9 1.242.450.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Resultados e Discuss\u00e3o<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">A modernidade l\u00edquida, de acordo com a perspectiva de Zygmunt Bauman, \u00e9 marcada pela constante velocidade, efemeridade e movimento, assim os relacionamentos amorosos n\u00e3o fogem deste padr\u00e3o. Diante dessa constante mudan\u00e7a de cen\u00e1rios, a clamar por identidades m\u00faltiplas e fugazes, os sujeitos passam a manter os v\u00ednculos frouxos visando que possam ser desfeitos rapidamente, como contratos rescindidos (Bauman, 2004; Bauman, 2001; Lipovetsky, 1989). Nessa concep\u00e7\u00e3o de que nada dura e nem \u00e9 feito para durar, a rapidez com que as pessoas passam a formar la\u00e7os afetivos torna-se proporcional \u00e0 velocidade com que o desmancham (Zordan, 2010). As caracter\u00edsticas citadas s\u00e3o percebidas nas falas dos participantes da pesquisa onde, de acordo com o entrevistado B, os relacionamentos est\u00e3o &#8220;menos s\u00e9rios. Antigamente a gente tinha todo um ritual para come\u00e7ar um relacionamento, hoje em dia ele come\u00e7a e termina, come\u00e7a e termina como se n\u00e3o fosse nada, em sua maioria.&#8221;. O entrevistado A relata que &#8220;elas [as pessoas] encaram os relacionamentos n\u00e3o com muita seriedade ultimamente. \u00c9, eu olho para aquela pessoa e pode ser que dure um m\u00eas ou n\u00e3o, pode ser que dure uma semana ou mais, um ano&#8221;. Contudo, todos os entrevistados do grupo 01 trouxeram uma fala bastante naturalizada sobre esse fen\u00f4meno, chegando inclusive a confirmar que entram ou entraram em relacionamentos assim.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Esse fato pode ser corroborado a partir das falas deles sobre o fen\u00f4meno do &#8220;ficar&#8221;. O entrevistado B ressaltou que &#8220;\u00e9 o est\u00e1gio, um momento de conhecer. \u00c9 um\u00a0<i>test drive<\/i>. Voc\u00ea conhece a pessoa, vai ter os primeiros contatos com a pessoa que pode vir a ser algu\u00e9m legal na sua vida, ou n\u00e3o.&#8221; A entrevistada C trouxe um discurso acerca disso, relatando que &#8220;ficar n\u00e3o \u00e9 nada! As vezes eu ficava com uma pessoa por ficar e isso n\u00e3o representava nada&#8221;. Essas compreens\u00f5es acerca dos relacionamentos amorosos e do &#8220;ficar&#8221; podem ser compreendidas atrav\u00e9s de Bauman (2004), que afirma que os relacionamentos amorosos acabam por ser um investimento como qualquer outro que a pessoa pode realizar, contudo &#8220;ser\u00e1 que alguma vez lhe ocorreria fazer juras de lealdade \u00e0s a\u00e7\u00f5es que acabou de adquirir?&#8221; (p. 29). O autor ressalta ainda que &#8220;apostar todas as suas fichas em um s\u00f3 n\u00famero \u00e9 a m\u00e1xima insensatez!&#8221; (p. 78).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Sobre esses aspectos, \u00e9 percebida uma diferen\u00e7a entre os grupos entrevistados. Na fala do participante F, integrante do grupo 02, \u00e9 poss\u00edvel perceber que ele compreende que:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">(&#8230;) os relacionamentos amorosos t\u00eam uma influ\u00eancia bastante extrema do modo de vida das pessoas hoje, que est\u00e1 bastante corrido e isso acaba influenciando nos relacionamentos interpessoais. Porque voc\u00ea n\u00e3o tem muito tempo para se dedicar, n\u00e9, por causa da conting\u00eancia da vida moderna. A\u00ed isso acaba incidindo de forma negativa.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">J\u00e1 a entrevistada G relata que:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">(&#8230;) hoje em dia banalizou muito, eu acho. Hoje em dia, sei l\u00e1, o meio cultural e a facilidade para se encontrar pessoas fazem com que n\u00e3o se tenha mais aquele relacionamento de voc\u00ea ficar um tempo, e qualquer briga \u00e9 motivo para terminar um relacionamento. Eu sou de um tempo em que voc\u00ea tem que conversar n\u00e9. Mas assim, hoje em dia eu vejo o pessoal, poucos os amigos que eu tenho na faixa de 30 anos, tem um relacionamento serio h\u00e1 mais de um ano. Eu acho que banalizou bastante, o casamento est\u00e1 banalizado tamb\u00e9m.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Sobre essa quest\u00e3o ela ainda afirma que &#8220;qualquer briga \u00e9 motivo para terminar um relacionamento. Eu sou do tempo em que voc\u00ea tem que conversar n\u00e9&#8221;, tempo do amor rom\u00e2ntico. Pois na modernidade esse ideal \u00e9 rompido, n\u00e3o h\u00e1 mais o la\u00e7o indissol\u00favel (Costa, 1999). O fato de a entrevistada relatar ter poucos amigos que tenham um relacionamento s\u00e9rio h\u00e1 mais de um ano remete \u00e0 quest\u00e3o de que na contemporaneidade os v\u00ednculos v\u00eam sendo afrouxados e apertados constantemente, outro aspecto ligado \u00e0 fluidez dos la\u00e7os amorosos (Bauman, 2004).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Com rela\u00e7\u00e3o ao fen\u00f4meno do ficar, foi poss\u00edvel perceber que os integrantes do grupo mais velho denotam certa continuidade a esse processo, n\u00e3o se mostrando muito aptos ao ficar somente naquele momento ou naquela noite. A partir da fala do entrevistado G \u00e9 poss\u00edvel perceber isso, pois para ele ficar \u00e9 &#8220;o primeiro encontro de muitos outros&#8221;. J\u00e1 para a participante F, &#8220;a partir do momento que voc\u00ea beijou, est\u00e1 ficando. E eu s\u00f3 fico com uma pessoa se tiver atra\u00e7\u00e3o, eu n\u00e3o fico por ficar ou em uma noite. Tem que rolar um interesse, um papo legal.&#8221;. \u00c9 poss\u00edvel perceber como essa concep\u00e7\u00e3o mant\u00e9m uma associa\u00e7\u00e3o com um relacionamento que representa algo para a pessoa, diferente do que a participante C trouxe: &#8220;isso n\u00e3o representava nada&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">A participante H relatou nunca ter ficado com ningu\u00e9m. Perguntada acerca de sua concep\u00e7\u00e3o sobre o &#8220;ficar&#8221;, ela trouxe um discurso de que &#8220;ent\u00e3o nem sei o que \u00e9 ficar. Mas, acho que ficar \u00e9 s\u00f3 um passatempo. Ficou e passou. Fiquei e no outro dia j\u00e1 nem sei mais quem \u00e9.&#8221; Ao citar isso, ela ressaltou que compreende que &#8220;atualmente \u00e9 dessa forma que as pessoas se relacionam ao ficar&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/localhost\/memorias\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Amor_na_era_dos_aplicativos_12064_10.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Outra quest\u00e3o percebida durante as entrevistas foi com rela\u00e7\u00e3o ao casamento e \u00e0 redefini\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is de homens e mulheres. Essa redefini\u00e7\u00e3o foi causada pela influ\u00eancia da primeira industrializa\u00e7\u00e3o e da urbaniza\u00e7\u00e3o (F\u00e9res-Carneiro, 1998), que deram in\u00edcio a um processo de reorganiza\u00e7\u00e3o das tarefas, ao puxar as mulheres (primeiramente as das classes menos favorecidas) para o violento e brutal universo do mercado de trabalho e ao produzir o fen\u00f4meno das sufragistas, mulheres que, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, lutaram, foram presas e morreram pelo direito de votar. Hoje a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 outra. Percebe-se, a partir da fala do participante A, que tanto o homem quanto a mulher podem ser mais ativos, a mulher pode ser a fornecedora do dinheiro e quem paga as contas e, o cara pode ser quem cuida da casa. No sexo ela pode ser ativa, pode ser dominadora e o homem pode ser mais passivo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Ao ser questionada sobre os diferentes papeis desempenhados por homens e mulheres, a participante H relatou que &#8220;eles podem desempenhar os mesmos papeis, sem exce\u00e7\u00e3o de nenhum&#8221;. J\u00e1 o entrevistado E trouxe um discurso um pouco diferenciado:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">N\u00e3o. Biologicamente s\u00e3o diferentes, culturalmente s\u00e3o diferentes tamb\u00e9m. Ent\u00e3o \u00e9 complicado voc\u00ea estabelecer isonomia com seres que desde a \u00e9poca das cavernas sempre foram diferentes. Por isso que se imp\u00f5e a igualdade por livro, por lei \u00e9 algo que j\u00e1 \u00e9 diferente.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Essa fala remeteu a todo o processo hist\u00f3rico dos direitos adquiridos pela mulher ao longo do tempo. J\u00e1 o entrevistado B tamb\u00e9m trouxe um discurso relatando que na verdade isso \u00e9 bem interessante, normalmente se tem uma vis\u00e3o de que o homem tem que tomar a iniciativa de tudo, de que cabe a ele iniciar qualquer a\u00e7\u00e3o dentro de um relacionamento. E n\u00e3o, pode tamb\u00e9m dividir um pouco essa responsabilidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Em outro momento da entrevista ele tamb\u00e9m mencionou a mudan\u00e7a dos pap\u00e9is associada aos relacionamentos, afirmando: &#8220;eu estou percebendo uma invers\u00e3o dos papeis, hoje em dia eu vejo mais homens querendo um relacionamento s\u00e9rio do que mulheres.&#8221; Percebe-se aqui uma modifica\u00e7\u00e3o da ideia rom\u00e2ntica da mulher, que espera ser conquistada por um homem a fim de manter um relacionamento, bem como uma associa\u00e7\u00e3o com o fato de que a mulher passa a ter relacionamentos s\u00e9rios mais tarde por conta da dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 carreira profissional (Wendling, 2002).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Essa modifica\u00e7\u00e3o dos papeis acabou por gerar mudan\u00e7as nas fam\u00edlias e, inclusive no casamento. Atualmente, isso acaba por motivar os casais a viverem de uma maneira mais individualista, muitas vezes visando seu pr\u00f3prio prazer (F\u00e9res-Carneiro, 1998). Diante disso, pode-se compreender que os sujeitos passam a estipular projetos pessoais individuais. Essa concep\u00e7\u00e3o hedonista e que visa \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o dos prazeres individuais \u00e9 percebida na fala do entrevistado E, pois para ele os relacionamentos est\u00e3o &#8220;vol\u00e1teis. N\u00f3s vivemos em uma sociedade hedonista&#8221;. Com rela\u00e7\u00e3o a essas modifica\u00e7\u00f5es percebidas no casamento, de acordo com a entrevistada H.<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">(&#8230;) nunca existiu o tempo certo para casar. Tem os objetivos e prioridades, e principalmente a mulher anda fazendo isso, ela coloca a forma\u00e7\u00e3o profissional e a vida independente a frente do casamento, isso t\u00e1 pesando muito. Cada dia que passa a mulher t\u00e1 ficando mais independente.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Essa fala denota a mudan\u00e7a no papel desempenhado pelo casamento no imagin\u00e1rio feminino. Wendling (2002). Se, no paradigma rom\u00e2ntico, a mulher ansiava pelo casamento que iria lhe garantir, al\u00e9m de amor e companhia, os proventos futuros advindos dos encargos decorrentes da maternidade, atualmente as mulheres passam a optar por casar e ter filhos mais tarde a fim de garantir seu futuro profissional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Ao falar sobre o casamento, F relata: &#8220;Eu diria que s\u00e3o as conting\u00eancias do dia a dia que levam a pessoa a adiar ou acelerar&#8221;. O entrevistado E ainda corrobora com a concep\u00e7\u00e3o geral de casamento dos demais participantes do grupo com idade entre 40 e 45 anos, afirmando que:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">(&#8230;) o est\u00e1gio que o capitalismo est\u00e1 n\u00e3o permite mais o casamento como foco das pessoas. O valor do casamento est\u00e1 bem atr\u00e1s para as pessoas. Eles buscam algo a mais que o casamento, pelo menos a maioria delas. H\u00e1 pessoas que ainda buscam o casamento, mas diminuiu bastante.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Diante desses relatos foi poss\u00edvel perceber que esse grupo de entrevistados trouxe uma concep\u00e7\u00e3o mais contempor\u00e2nea sobre o casamento, n\u00e3o o atrelando mais a uma vis\u00e3o rom\u00e2ntica, inclusive nos seus aspectos de eterno e duradouro, como tamb\u00e9m n\u00e3o o compreendendo como um dos principais projetos de vida. Esses fatores tamb\u00e9m foram percebidos nas falas de todos os entrevistados do outro grupo, que relatam, de uma maneira geral, que n\u00e3o existe tempo certo para casar, contudo h\u00e1 prioridades na vida que n\u00e3o s\u00e3o necessariamente o casamento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">E ent\u00e3o chegamos no pol\u00eamico e inescap\u00e1vel problema levantado pelos aplicativos m\u00f3veis de relacionamentos. Curiosa e ironicamente, os pr\u00f3prios aplicativos s\u00e3o designados m\u00f3veis, uma vez que mobilidade \u00e9 mesmo o cerne da quest\u00e3o. Esse tema acaba por ressaltar um t\u00f3pico essencial aos dias de hoje, a conectividade. Bauman (2004) afirma que, desde que as pessoas estejam com seus celulares, elas nunca estar\u00e3o fora ou longe, pois os celulares funcionam como uma extens\u00e3o do corpo para esses sujeitos que est\u00e3o em constante movimento e sempre conectados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">\u00c9 a partir desse contexto que os aplicativos de relacionamento surgem, proporcionando aos sujeitos que, a partir de seus celulares, se conhe\u00e7am e se relacionem de diversas maneiras com outras pessoas. Atualmente h\u00e1 v\u00e1rios aplicativos com esta fun\u00e7\u00e3o, como por exemplo: Happn, Kickoff, DateMe, Badoo e Tinder, sendo este \u00faltimo um dos mais utilizados e o trabalhado mais diretamente nesta pesquisa. Bauman (2004) ressalta que essa pseudo-proximidade acabou por tornar as conex\u00f5es humanas mais frequentes e banais, pois, al\u00e9m de poderem ser encerradas somente a partir de um bot\u00e3o, elas n\u00e3o deixam sedimentos permanentes ap\u00f3s seu t\u00e9rmino, concep\u00e7\u00e3o que denota ainda mais a fragilidade dos la\u00e7os humanos na contemporaneidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Durante as entrevistas, podem-se perceber compreens\u00f5es bastante diversificadas sobre o tema. B afirma:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">N\u00e3o digo relacionamento, mas conhecer uma pessoa pela internet \u00e9 interessante. At\u00e9 hoje em dia que t\u00e1 todo mundo online fica mais f\u00e1cil de encontrar algu\u00e9m na internet do que na pr\u00f3pria\u00a0<i>real life<\/i>, no m\u00e9todo convencional, digamos.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">O fen\u00f4meno da troca entre os mundos &#8220;real&#8221; e &#8220;virtual&#8221;, em que muitas vezes o segundo passa a ter preponder\u00e2ncia sobre o primeiro, pode ser percebido nesta fala do entrevistado B. A entrevistada D tamb\u00e9m teve um relato que aponta uma proximidade com a realidade virtual. Segundo ela:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">(&#8230;) \u00e9 um aplicativo [Tinder], para mim, como qualquer outro desses amorosos. Uma pessoa pode namorar algu\u00e9m que conhece pelo Facebook, ent\u00e3o pode namorar algu\u00e9m que conhece pelo Tinder, \u00e9 a mesma coisa. O Tinder \u00e9 s\u00f3 um outro tipo de aplicativo, talvez mais direto, para pessoas que est\u00e3o a procura.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">J\u00e1 os entrevistados do segundo grupo trouxeram uma fala que difere das do grupo anterior. Segundo o participante E, os relacionamentos\u00a0<i>online<\/i>:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">(&#8230;) s\u00e3o novas formas, n\u00e9? Antigamente, h\u00e1 cem anos, voc\u00ea tinha uma rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia com cartas e com olhar, e isso j\u00e1 indicava algum tipo de relacionamento. Ent\u00e3o \u00e9 uma nova forma de como lidar com isso, preencher seu espa\u00e7o e seus vazios de diferentes formas inclusive com o uso dos aplicativos ou\u00a0<i>online<\/i>: se isso traz felicidade para algu\u00e9m, se \u00e9 suficiente, ent\u00e3o acredito que seja v\u00e1lido.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Nesse caso \u00e9 poss\u00edvel perceber que o entrevistado tem um discurso positivo sobre os aplicativos de relacionamento, tratando-os como uma adapta\u00e7\u00e3o moderna das formas de lidar com as rela\u00e7\u00f5es e v\u00ednculos. Contudo, \u00e9 importante ressaltar que esse participante n\u00e3o citou especificamente nenhum aplicativo online, como tamb\u00e9m n\u00e3o sabe ao certo como funciona o Tinder. J\u00e1 a entrevistada G, relatou uma compreens\u00e3o bastante diferente do fen\u00f4meno:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Cara, eu entrei nesse Tinder. Mas, o pessoal s\u00f3 quer sexo! N\u00e3o querem um relacionamento, a\u00ed eu &#8220;ah, quer saber, n\u00e3o \u00e9 minha praia!&#8221; e sa\u00ed. Mas, ali eu percebi que \u00e9 como se fosse uma cartela em que voc\u00ea fica escolhendo o sabor que quer.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">J\u00e1 o entrevistado F afirma que &#8220;eu vejo que \u00e9 s\u00f3 a primeira etapa, tem que ter a segunda etapa que \u00e9 o pessoalmente. Quando vem a segunda etapa e voc\u00ea conhece pessoalmente \u00e9 poss\u00edvel fechar o compromisso.&#8221; A partir dessas \u00faltimas falas, compreende-se que os participantes do segundo grupo n\u00e3o mant\u00e9m a mesma rela\u00e7\u00e3o de naturalidade com os aplicativos online que os do primeiro grupo. Eles mostraram-se, inclusive, um pouco incomodados com o funcionamento deste e deram maior import\u00e2ncia ao conv\u00edvio pessoal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">\u00c9 interessante ressaltar que para eles, diferente de como foi citado por B, a\u00a0<i>real life<\/i>\u00a0n\u00e3o se encontra na internet, inclusive quase todos n\u00e3o acreditam na possibilidade de um relacionamento surgir e se consolidar por meio desses aplicativos. Esse fato foi citado por H ao relatar que &#8220;eu n\u00e3o acho legal. Eu n\u00e3o confio nesses relacionamentos&#8221; e por G: &#8220;Mas, acho que \u00e9 como se fosse uma roleta russa, \u00e9 um entre mil&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Finalizando as an\u00e1lises grupais, o \u00faltimo t\u00f3pico a ser trabalhado refere-se ao amor e \u00e0 felicidade. Neste t\u00f3pico, n\u00e3o houve nenhuma discord\u00e2ncia entre os participantes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Ao se indagar sobre o prop\u00f3sito e finalidade de vida dos seres humanos, Freud (1939\/2013) reitera que &#8220;\u00e9 dif\u00edcil errar a resposta: eles aspiram \u00e0 felicidade, querem se tornar felizes e assim permanecer&#8221; (p. 62). Essa for\u00e7a de propuls\u00e3o que impele o homem a ser feliz \u00e9 denominada de &#8220;princ\u00edpio do prazer&#8221;, e visa produzir prazer ou evitar o desprazer do sujeito. Contudo &#8220;todas as disposi\u00e7\u00f5es do universo o contrariam; seria poss\u00edvel dizer que o prop\u00f3sito de que o homem seja \u2018feliz&#8217; n\u00e3o faz parte do plano da cria\u00e7\u00e3o&#8221; (Freud, 2013, p. 62-63).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Assim, para o autor, a felicidade \u00e9 um fen\u00f4meno epis\u00f3dico de s\u00fabita satisfa\u00e7\u00e3o de necessidades (1939\/2013). Contudo, esse obst\u00e1culo n\u00e3o impede o homem de ter a felicidade como objetivo de vida (Sewaybricker, 2012).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">De acordo com Bauman (2008; 2009) a felicidade \u00e9 ilus\u00f3ria, uma vez que h\u00e1 o constante empreendimento de novas promessas a fim de superpor as decep\u00e7\u00f5es. Assim \u00e9 perpetuada a cren\u00e7a nessa constante busca. Essa promessa de felicidade que ocorre na vida liquido-moderna n\u00e3o se confirma, pois o deslumbramento ocorre na objetiva\u00e7\u00e3o de satisfa\u00e7\u00e3o. Diante disso, quando h\u00e1 uma vontade adquirida, cria-se uma nova. Essa concep\u00e7\u00e3o revela uma proximidade com o que Freud situou ser a felicidade. J\u00e1 para Lipovetsky (2007), na forma do gozo incessante e na posse de bens de consumo, a felicidade imposs\u00edvel e paradoxal tornou-se um imperativo de euforia, adrenalina e adi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">De acordo com Freud (1939\/2013), &#8220;uma das manifesta\u00e7\u00f5es de amor, o amor sexual, nos proporcionou a mais intensa experi\u00eancia de uma sensa\u00e7\u00e3o avassaladora de prazer, fornecendo-nos assim o modelo de nossas aspira\u00e7\u00f5es de felicidade (p. 74)&#8221;. A realiza\u00e7\u00e3o da felicidade mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o com a &#8220;satisfa\u00e7\u00e3o do fato de amar e ser amado (p. 74)&#8221;. \u00c9 poss\u00edvel perceber isso atrav\u00e9s da fala da participante D, ao relatar que &#8220;o amor complementa sua felicidade. O amor \u00e9 a felicidade para mim&#8221;, como tamb\u00e9m pelo discurso do entrevistado F, dizendo que &#8220;a pessoa se sente feliz todos os dias se ela tem certeza que est\u00e1 amando outra pessoa, ela se sente feliz at\u00e9 para enfrentar os desafios do dia-a-dia&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Para Bauman (2004) os sujeitos amam o fato de poderem ser &#8220;objetos dignos de amor&#8221; (p. 100), de serem assim reconhecidos, bem como receberem a prova disto, de serem vistos pelo pr\u00f3ximo como quem porta &#8220;um valor singular, insubstitu\u00edvel e n\u00e3o descart\u00e1vel&#8221; (p. 101). Isso j\u00e1 \u00e9 percebido pela fala da participante G: &#8220;ele [o amor] traz alegrias, realiza\u00e7\u00f5es. O amor traz um companheiro ou uma companheira para construir uma fam\u00edlia juntos e tudo isso \u00e9 felicidade&#8221; e pela fala da entrevistada C, afirmando que &#8220;voc\u00ea se sente melhor, se sente amada&#8221;. Contudo, e paradoxalmente, o ser humano nunca se encontra t\u00e3o desprotegido do sofrimento do que quando est\u00e1 amando, tornando-se infeliz quando perde o objeto amado ou seu amor (Freud, 1939\/2013).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">A participante H afirma que &#8220;se o amor for correspondido, traz felicidade sim&#8221;. Bauman (2004) diz que &#8220;o amor \u00e9 uma hipoteca baseada num futuro incerto e inescrut\u00e1vel&#8221; (p. 23). Seja como for, ao que parece e mesmo com toda a fluidez da modernidade l\u00edquida e dos relacionamentos instant\u00e2neos, ainda surge a possibilidade de felicidade em um encontro amoroso aut\u00eantico com o outro, com todas as incertezas que ele apresenta. O amor, mesmo que n\u00e3o seja eterno ou duradouro, ainda parece ser forte presen\u00e7a no imagin\u00e1rio contempor\u00e2neo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/localhost\/memorias\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Amor_na_era_dos_aplicativos_12064_11.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: medium;\">Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">O amor, talvez o tema mais presente em toda a hist\u00f3ria da arte e da literatura universal e um dos mais discutidos na filosofia \u00e9, possivelmente, tamb\u00e9m o mais complexo e paradoxal. Se hoje vivemos o fen\u00f4meno dos relacionamentos ef\u00eameros, muitas vezes movidos a aplicativos e mensagens de celular e turbinados pelas p\u00e1ginas das redes sociais e dos chats de relacionamento, n\u00e3o podemos esquecer que o fen\u00f4meno j\u00e1 se apresentou sob formas muito variadas ao longo de nossa hist\u00f3ria. J\u00e1 foi visto como irrelevante, quando os casamentos eram arranjados pelas fam\u00edlias patriarcais, j\u00e1 foi visto como troca de bens por antrop\u00f3logos estudando outros povos, j\u00e1 foi visto como o mais importante de tudo, sob a \u00e9gide do paradigma rom\u00e2ntico. J\u00e1 foi chamado por Cam\u00f5es (1560\/2001) de &#8220;contentamento descontente&#8221;, &#8220;fogo que arde sem se ver&#8221; e &#8220;ferida que d\u00f3i e n\u00e3o se sente&#8221;. Neste mesmo soneto, o bardo portugu\u00eas o afirma ainda um &#8220;andar solit\u00e1rio entre a gente&#8221;. Todas estas frases denunciam seu car\u00e1ter paradoxal e contradit\u00f3rio, o que tamb\u00e9m se evidencia no verso de Vinicius sobre sua dura\u00e7\u00e3o infinita e ef\u00eamera. A mesma paradoxalidade e complexidade do fen\u00f4meno foi encontrada ao longo desta pesquisa. Amar \u00e9 tentar vencer a inexor\u00e1vel solid\u00e3o a que estamos todos, desde que nos cortaram o cord\u00e3o umbilical, irremediavelmente lan\u00e7ados, uma busca aventureira que ningu\u00e9m sabe se ir\u00e1 ou n\u00e3o dar bons frutos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Quanto \u00e0s mudan\u00e7as na forma de se dar dos relacionamentos na contemporaneidade, percebe-se que, em alguns aspectos, houve uma not\u00e1vel diferencia\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a nosso passado recente. Lembrando que as conclus\u00f5es aqui n\u00e3o podem ser universalizadas, dado se tratar de uma pesquisa de escopo reduzido e dadas as particularidades dos relacionamentos, que variam enormemente de um caso para outro, apontamos algumas tend\u00eancias que apareceram, principalmente quando buscamos comparar os dois grupos pesquisados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Quanto \u00e0 estrutura\u00e7\u00e3o dos relacionamentos amorosos, sua dura\u00e7\u00e3o e frequ\u00eancia, conclu\u00edmos que o primeiro grupo denota as transforma\u00e7\u00f5es ocorridas com mais naturalidade. O segundo grupo, embora demonstre compreender a tend\u00eancia atual, acaba por apresentar certa nostalgia do v\u00ednculo criado pelo amor rom\u00e2ntico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Contudo, ao se falar sobre a redefini\u00e7\u00e3o dos papeis de homem e mulher bem como do casamento, percebe-se uma maior proximidade entre os grupos. De maneira geral, para ambos os grupos a mulher e o homem podem desempenhar os mesmos papeis na rela\u00e7\u00e3o amorosa e sexual. Com rela\u00e7\u00e3o ao casamento, todos falaram que n\u00e3o h\u00e1 tempo estipulado para casar e corroboraram com o fato de que, na contemporaneidade, sob a \u00e9gide do sistema capitalista global e altamente competitivo, as pessoas acabam estipulando outras prioridades, principalmente a carreira e, por conta disso, o casamento fica relegado a um segundo plano.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">No que diz respeito aos aplicativos de relacionamentos, o primeiro grupo mostrou-se bastante familiarizado com seu uso e objetivo, acreditando ser normal conhecer algu\u00e9m pelo Tinder ou pela internet, chegando ao radicalismo de afirmar que esta \u00e9 a\u00a0<i>\u2018real life&#8217;<\/i>. J\u00e1 os integrantes do segundo grupo, via de regra, mostraram uma compreens\u00e3o consideravelmente diferente desse aspecto, pois relataram se sentir incomodados com esses aplicativos, acreditando ser dif\u00edcil um relacionamento verdadeiro surgir atrav\u00e9s destes e priorizando o conv\u00edvio pessoal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Por fim, com rela\u00e7\u00e3o ao amor e \u00e0 felicidade, todos os participantes relataram que este \u00e9 fonte de felicidade, contudo tamb\u00e9m concordaram que pode ser fonte de sofrimento se n\u00e3o for correspondido, corroborando com a teoria proposta para a an\u00e1lise.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Percebe-se que as compreens\u00f5es entre os grupos ainda foram bastante similares em alguns pontos. Esse fato pode ter ocorrido por conta da escolha da idade dos sujeitos participantes. Possivelmente maiores contrastes teriam sido encontrados se tivessem sido inclu\u00eddos entrevistados da faixa entre 60 e 65 anos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">https:\/\/www.e-publicacoes.uerj.br\/index.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" style=\"font-weight: 300;\" src=\"https:\/\/localhost\/memorias\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Amor_na_era_dos_aplicativos_12064_12.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>\u00a0<iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/E-duQOlS3k4\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #888888;\">Nota&#x2663;<\/span> Vivemos em uma nova \u00e9poca, a era digital. Que afetou a forma de se relacionar, interagir, hoje as rela\u00e7\u00f5es giram em torno de grupos, redes sociais,\u00a0 sites de relacionamentos, quando se quer \u00a0encontrar algu\u00e9m para namorar basta entrar em um aplicativo e buscar algu\u00e9m com compatibilidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0E onde fica a qu\u00edmica? A magia do amor? Para mim isto parece neg\u00f3cio, contrato.\u00a0 At\u00e9 conhe\u00e7o rela\u00e7\u00f5es que d\u00e3o certo usando este t\u00e9cnica, contudo, uma d\u00favida me consome, ser\u00e1 que estas pessoas n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o desesperadas para encontrar algu\u00e9m que se apaixonam pela rela\u00e7\u00e3o e n\u00e3o pela pessoa?<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\">Anota ai<\/span><span style=\"color: #808000;\">&#x2663;<\/span>Ao torto e ao direito se vive. Vive-se s\u00f3 inclusive.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808080;\">Decore isso e n\u00e3o se esque\u00e7a<\/span><span style=\"color: #808000;\">&#x2663;<\/span> A prioridade da sua vida \u00e9 cuidar de voc\u00ea e correr atr\u00e1s dos seus sonhos, n\u00e3o de pessoas!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA gente nasce e morre sozinho, ningu\u00e9m pode pegar na nossa m\u00e3o. Agora, no meio do caminho..isso j\u00e1 \u00e9 outra hist\u00f3ria.\u201d As rela\u00e7\u00f5es humanas, e principalmente os mecanismos de relacionamento, invariavelmente se modificam com o tempo. Os v\u00ednculos amorosos n\u00e3o &hellip; <a href=\"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/?p=12064\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"quote","meta":{"footnotes":""},"categories":[521,385,515],"tags":[17,495],"class_list":["post-12064","post","type-post","status-publish","format-quote","hentry","category-musica-internacional","category-o-contrato-social","category-trilha-sonora","tag-amor","tag-virtualidade","post_format-post-format-quote"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12064","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=12064"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12064\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19327,"href":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12064\/revisions\/19327"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=12064"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=12064"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriasdeumadvogado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=12064"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}