Oráculos

 

Na Terra, historicamente, os Oráculos foram uma das primeiras formas de relacionamento entre os seres humanos e a divindade, eram as respostas reveladas por meio da arte da adivinhação (divinatórias).

Por extensão, o termo oráculo por vezes também designa o intermediário humano consultado, que transmite a resposta e até mesmo, no Mundo Antigo, o local que ganhava reputação por distribuir a sabedoria oracular, onde era notada a presença Divina sempre que chamada, que passava a ser considerado solo sagrado e previamente preparado para tal prática.

Todavia, nos dias de hoje, ele é igualmente atribuído a um objeto ou meio pelo qual alguém possa obter respostas para um esclarecimento maior.

Embora haja registros de consultas a divindades para adivinhação desde a Antiguidade, foi na Grécia que a prática ganhou status de culto nacional, com templos dedicados exclusivamente a práticas divinatórias.

Um dos mais ricos e frequentados era o templo de Delfos, em que Apolo era consultado por uma sacerdotisa apelidada de pitonisa (serpente).

Na antiguidade antes de qualquer  empreendimentos importantes, como guerras e fundação de colônia, tinha-se por hábito a consulta ao oráculo, porém, nos dias de hoje, ele é igualmente, utilizado em oráculos como: tarô, cartas, jogo de búzios

Certa vez, um amigo me convidou para acompanha-lo a um jogo de búzios, curiosa como Pandora lá fui eu, e aproveitei para fazer um jogo que previu quem seria meu grande amor, e como seria o desenrolar dessa história.

Um tempo depois conheci a figura que batia direitinho com a pessoa prevista no jogo, idade e até a forma que iriamos nos conhecer, porém, este mesmo jogo afirmou que ele seria a minha destruição, minha ruína, fiquei bolada!

Escolhi não me arriscar, prefiro continuar a me divertir com os ogros que conheço. E o mais engraçado, é que estes dias enquanto escrevia este texto, encontrei a figura no meio de uma encruzilhada; sai batida, nem falei com ele, fujo dele que nem o diabo foge da cruz.( Rs!)

Me recordei que Aquiles antes da guerra de Troia foi avisado por sua mãe  do que lhe aconteceria se ele fosse para guerra, no entanto, preferiu se arriscar,  igualmente, Júlio Cesar foi alertado por sua esposa que através de sonhos previu o que Brutus iria lhe fazer, ele também, não deu importância a previsão.

Mas será que existe destino? E conhecendo o seu futuro, será que o homem tem o poder de modifica-lo? Será que existe o livre arbítrio? Ou será, que todos os caminhos levam ao mesmo lugar?

O exemplo encarnado do homem vitimado por sua sina é a fábula Edipiana que representa o jogo cruel do destino contra os mortais.

Porém,  tenho dúvidas se a tragédia Édipo rei é fruto do acaso,  ou o fato dele acreditar tanto na profecia acabou buscando a mesma,  foi de encontro a ela.

edipo

Não tenhas medo da cama de tua mãe:
quantas vezes em sonho um homem dorme com a mãe!”
(Jocasta a Édipo)

 

Laio, rei da cidade de Tebas e casado com Jocasta, foi advertido pelo oráculo de que não poderia gerar filhos e, se esse mandamento fosse desobedecido, o mesmo seria morto pelo próprio filho, que se casaria com a mãe.

O rei de Tebas não acreditou e teve um filho com Jocasta. Depois arrependeu-se do que havia feito e abandonou a criança numa montanha com os tornozelos furados para que ela morresse.

A ferida que ficou no pé do menino é que deu origem ao nome Édipo, que significa pés inchados. O menino não morreu e foi encontrado por alguns pastores, que o levaram a Polibo, o rei de Corinto, este que o criou como filho legítimo. Já adulto, Édipo também foi até o oráculo de Delfos para saber o seu destino.

O oráculo disse que o seu destino era matar o pai e se casar com a mãe. Espantado, ele deixou Corinto e foi em direção a Tebas. No meio do caminho, encontrou com Laio que pediu para que ele abrisse caminho para passar. Édipo não atendeu ao pedido do rei e lutou com ele até matá-lo.

Sem saber que havia matado o próprio pai, Édipo prosseguiu sua viagem para Tebas. No caminho, encontrou-se com a Esfinge, um monstro metade leão, metade mulher, que atormentava o povo tebano, pois lançava enigmas e devorava quem não os decifrasse.

O enigma proposto pela esfinge era o seguinte: Qual é o animal que de manhã tem quatro pés, dois ao meio dia e três à tarde? Ele disse que era o homem, pois na manhã da vida (infância) engatinha com pés e mãos, ao meio-dia (idade adulta) anda sobre dois pés e à tarde (velhice) precisa das duas pernas e de uma bengala. A Esfinge ficou furiosa por ter sido decifrada e se matou.

O povo de Tebas saudou Édipo como seu novo rei, e entregou-lhe Jocasta como esposa. Depois disso, uma violenta peste atingiu a cidade e Édipo foi consultar o oráculo, que respondeu que a peste não teria fim enquanto o assassino de Laio não fosse castigado.

Ao longo das investigações, a verdade foi esclarecida. Em face de tal monstruosa revelação, Jocasta se suicida por enforcamento e Édipo vaza os próprios olhos e é expulso da cidade.

Na verdade o sofrimento de Édipo é a consequência de um pecado atávico: seu pai Laio, quando jovem, durante uma estada na corte do rei da Frigia, seduziu o príncipe Crisipo, o raptou e depois o abandonou, causando a morte do jovem amante, por suicídio. O rei Pélope, inconsolável pela perda do filho, amaldiçoou Laio e todos seus descendentes, rogando a praga de que ele jamais tivesse filho ou, se tivesse algum, este seria a causa da sua morte.

Édipo Rei ilustra de uma forma cabal o sentido mais profundo da tragédia grega: a luta inglória da vontade humana contra os desígnios do Fado, configuração de uma força cósmica superior aos próprios deuses. Contra essa força é inútil lutar. Todavia, o homem teima em desafiar o Destino, tentando por todos os meios fugir do que está designado.

Mas, ironicamente, será a própria tentativa de fuga que levará o homem ao cumprimento do seu destino. A força inelutável do Fado é expressa retoricamente através da figura da “peripécia”, definida por Aristóteles, na sua Poética, como “a súbita mutação dos sucessos, no contrário”, quer dizer, as ações humanas conseguem um resultado oposto ao esperado.

E aí que reside a ironia da tragédia: Édipo, que foge de Corinto para não matar o pai e casar-se com a mãe, vai a Tebas, onde se encontram seus verdadeiros pais. A fábula de Édipo, estruturada por sequências narrativas equívocas, encontra a sua explicação ao nível do discurso, onde o protagonista revela ser o avesso do que deveria ter sido.

A essência do trágico reside na forma oximórica da coexistência de dois sememas opostos: inocência e culpabilidade. Édipo é um herói trágico porque é culpado de ter cometido dois crimes hediondos (parricídio e incesto), mas, ao mesmo tempo, é inocente porque não sabia que iria matar o pai e se casar com a mãe.

Ao herói trágico faltam as três modalidades que compõem a competência: o querer, o saber e o poder. Édipo não quer matar o pai, não sabe que mata o pai, não pode não-matar o pai, porque o Fado assim determinara.

Antes de réu, ele é vítima. O que caracteriza a tragédia é que a hibrys, o pecado, do herói não é individual, pessoal, mas atávica. Ele peca, não porque quer pecar, mas porque pesa sobre ele uma maldição ancestral da qual não pode escapar.

É bom lembrar que o oráculo sobre Édipo está diretamente relacionado com a maldição que pesava sobre Laio e seus descendentes pela culpa do pai de Édipo que, quando moço, seduzira e abandonara o jovem Crisipo, filho do rei da Frigia, causando sua morte.

O parricídio e o incesto de Édipo são o castigo pela violência homossexual praticada por Laio. O filho paga a pena de uma culpa cometida pelo pai. Assim na tragédia grega como na religião cristã: Adão cometeu o pecado de orgulho e todos seus descendentes devem pagar as consequências. É por isso que Aristóteles afirma que a finalidade da tragédia é excitar “terror e piedade”: terror pela ação violenta representada e piedade pelo ser humano que sofre sem ter culpa.

“Enquanto alguém deixar esta vida sem conhecer a dor,
não pode dizer que foi feliz”