O PORCO E A GALINHA – COMPROMETIDO OU ENVOLVIDO

O Porco e a Galinha – Comprometido ou Envolvido

O ágil trouxe para a boca de todos os que trabalham com projetos a pergunta você é o porco ou a galinha?

Para quem ainda não ouviu esta frase, não se ofenda, não é nenhum palavrão. É uma referência a uma fábula que eu vou resumir abaixo.

O porco e a galinha estavam passeando pela fazenda quando o fazendeiro apareceu e lançou o seguinte desafio aos dois:

“Vocês serão os responsáveis por preparar um café da manhã diferente para mim a cada dia pelas próximas duas semanas. Se vocês falharem, no caso de não variarem o cardápio, eu mesmo preparei o meu café da manhã que sem opção será ovos com bacon.”

Ambos, tanto o porco quanto a galinha, ficaram super empolgados em cumprir a missão de preparar os cafés da manhã diferentes a cada dia nas próximas duas semanas, e assim começaram.

Nos primeiros dias tudo correu bem, o porco sempre muito pró-ativo, já começava o dia pensando no menu do próximo dia, separando ingredientes, planejando as tarefas necessárias, controlando o tempo de cada tarefa, inovando na forma de preparar, sempre com o objetivo bem claro de cumprir a meta estipulada, e sempre contando com a ajuda da galinha que cumpria todas as tarefas que lhe eram atribuídas.

Com os passar dos dias as receitas foram ficando cada vez mais complexas e o porco gastava a maior parte do seu tempo preparando o menu do dia seguinte, deixando de ter tempo para atribuir as tarefas a galinha que por sua vez passava o tempo livre bicando o chão e procurando minhocas.

Com isso o porco cada vez tinha menos tempo disponível, e se via obrigado a trabalhar ainda mais para cumprir as metas estabelecidas pelo fazendeiro. Até que um dia, antes do prazo de duas semanas terminar, o porco não conseguiu preparar o café da manhã diferente, principalmente devido a sua exaustão e cansaço acumulado, e falhou.

Ao ver o não cumprimento do objetivo pelo porco e pela galinha, o fazendeiro foi preparar o seu próprio café da manhã, declarando em alto e bom som aos seus empregados:

“Matem o porco para fazer bacon e tragam os ovos da galinha!”

Piggy

Há variações desta história, inclusive em algumas delas a galinha sugere que os dois se unam em um projeto que sempre envolve bacon (ou presunto) e ovos. Neste formato o porco observa que a galinha sempre entra apenas com uma pequena contribuição, pois para a galinha basta apenas botar um ovo e voltar para as suas tarefas normais e mais confortáveis. Já para o porco o buraco é mais embaixo, ou melhor dizendo, um comprometimento total beirando a um sacrifício é necessário, pois para que seja feito bacon ou presunto o porco precisa ser morto, ou se for suficiente, perder uma perna como na imagem acima.

Esta pequena fábula é sempre ótima para nos lembrar a diferença entre estar envolvido e estar comprometido. Envolver-se é participar de uma ação, causa ou situação parcialmente, estar em parte ou não atuar de forma concreta na situação, estar apenas superficialmente participando de alguma ação. Já comprometer-se é assumir uma alta responsabilidade, se sujeitar, se empenhar, dar a sua palavra e doar-se pela causa ou projeto.

Ahã, então é daí que vem aquelas famosas frases de pressão: “Eu preciso de comprometimento, quem não estiver comprometido está fora!” ou “Você está desmotivado? Estou sentindo falta de comprometimento!” … hehe podemos dizer que sim!

No gerenciamento ágil de projetos esta pequena fábula esta relacionada com a definição de dois tipos de membros de equipe, os porcos que são totalmente comprometidos com o projeto e responsáveis pelo seu resultado, e as galinhas que apenas consultam o projeto e são informados de seu progresso.

No Scrum, os porcos são o Time Scrum, formado pelo Product Owner, Scrummaster e Time, que são os responsáveis por entregar o objetivo do projeto e estão com os seus “bacons” na reta. As galinhas são os demais envolvidos com o projeto, aqueles que não estão no dia-a-dia do projeto, como usuários ou gerentes funcionais, por exemplo.

A partir disso se houve muito por ai: “Eu quero só porcos no meu projeto! ” ou “Eu vou ser sempre porco!”

Isso não é verdade e na realidade não é correto pensar assim. Para que se tenha um projeto de sucesso é preciso ter porcos e galinhas, e existem situações em que devemos ser porcos e outras em que devemos ser galinhas.

O mais importante aqui é refletir sobre a postura que queremos ter em cada situação ou projeto, deixando isso bem claro a todos e evitando frustrações ao longo dos projetos, ou até mesmo em situações da vida pessoal por exemplo.

O foco aqui deve ser a comunicação e a transparência sobre o seu comprometimento, todos os envolvidos com o projeto devem saber exatamente qual o seu comprometimento com a situação, até para que eles também decidam o quanto querem se comprometer ou não com a mesma situação. Este é o momento que você pode refletir quando ser porco e quando ser galinha em vários aspectos da sua vida, tais como emprego, estudos, casamento, amizades … e até conflitos.

Não é preciso ser porco em todas as situações, até porque acredito que isso seja impossível. O fundamental é não ter vergonha e não se esconder quando você quiser participar de algo apenas superficialmente ou parcialmente. Muitos tendem a pensar que isso é negativo, mas o mais importante nestas situações é jogar limpo e lembrar que a comunicação é o fator decisivo para o sucesso e como diz aquela famosa frase: “O combinado não sai caro!”.

Pior do que ser uma galinha em uma situação ou projeto, é não jogar limpo com os outros, fingindo que está comprometido sem estar de verdade. Se fingir ser um porco e fracassar você irá virar um bacon, já se assumir ser uma galinha na situação certa, apenas deixará um ovo como consequência.

Fonte:

Para fechar esta mensagem final, eu deixo aqui a seguinte reflexão:

Se envolver com honestidade e transparência é seu dever sempre, mas se comprometer é uma opção sua de acordo com cada situação.

 

mudar

 

Se você quer mudar os frutos, primeiro tem que trocar as raízes – quando deseja alterar o que está visível, antes deve modificar o que está invisível.

                           T. Harv Eker

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