Escrever é viver profundamente!

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Devo escrever a cada dia sem falhas, não tanto pelo sucesso do meu trabalho, mas para não sair de minha rotina”

  Clarice Lispector:

 

Segundo Cecília Sfalsin, “Escrever é desvelar a alma, é abrir o coração, é ter coragem de emitir opiniões que podem melindrar, é não ter medo de se expor, é confiar na própria sensibilidade e ter como único parâmetro de censura a própria consciência. A escrita não é campo dos orgulhosos, dos que temem a opinião alheia, dos perfeccionistas e dos preconceituosos. O ato de escrever requer sintonia com o mundo que o cerca,  E escrever é um ato prazeroso, que inebria a alma de quem produz através das considerações posteriores a respeito dos seus escritos é a glória máxima do escritor”.

 

Desde muito pequena, minha relação com as palavras, com a escrita, não se diferencia da minha relação com o mundo em geral, eu acredito que não nasci para aceitar as coisas tal como estão, tal como me são oferecidas, como diz Carlos Drummond de Andrade. “Escritor: não somente uma certa maneira especial de ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as ver de qualquer outra maneira”.

Me recordo que desde da adolescência, enquanto, as menina perdiam tempo com coisas da sua idade, eu preferia ler  Papillon, ouvir  Lupercinio Rodrigues, sempre tive um lado musical muito forte,  tocava Tarol ( Baterias e Percussão) na Banda da Escola.

Outro hábito que carrego desde a infância é ser adicta  a leitura, não posso ficar sem ler e ver filmes. A minha conexão com a vida é via literatura, filmes, música.

Leio  para aprender a viver, para saber o que fazer. É claro que isso provoca muitas desilusões, muitos choques, porque a vida não é a literatura, e nem filmes que sempre tem mocinhos e finais felizes.(Rs!)

Com o tempo, descobri que a literatura/escrita, também, me ajudavam a enfrentar as mazelas da vida, com elas eu podia sonhar!

Mesmo que inconscientemente escolhi uma profissão onde podia exercer com plenitude este talento, na minha vida não existe rotina, cada vez que vou escrever, é como se fosse a primeira vez.

Escrevo, em primeiro lugar, por força do hábito; porque desde tenra idade adquiri o costume de escrever; porque escrever faz parte da minha autoimagem; porque escrever é uma das coisas que me fazem sentir-me eu mesmo. 

Quando passo um período mais longo sem escrever, o que ocorre de vez em quando, sou dominada cada vez mais pela sensação de que estou em falta, em falta comigo mesmo; sinto, de algum modo, não estar cumprindo uma obrigação que, sei lá como nem por quê, impus a mim mesmo. Mas escrevo, acima de tudo, creio eu, porque me dá prazer.

Escrevo para aprender comigo mesmo o que nem eu sabia de mim. Escrevo para poder respirar, necessito desse ar para viver.  Escrever é meu vício, meu ópio, não consigo parar e escrevo, escrevo, escrevo.

Na verdade, o que mais gosto na escrita é a possibilidade de registrar o que penso. Escrever para mim é como tatuar em mim quem sou. É como se eu tivesse que me carregar para o resto de minha vida.

Pela escrita documento quem sou e quem não sou. Escrevo para tentar saber de mim. Escrevo para não esquecer de mim. Escrevo para assumir quem sou. Escrevo para tentar me responsabilizar de alguma coisa.

Às vezes, eu escrevo porque quero dizer determinada coisa que eu acho que não foi dita; às vezes, porque me interessa que conheçam meu ponto de vista.

Pela escrita, posso comunicar coisas que não teria coragem de comunicar falando.Tem coisa que tenho vergonha de falar, mas não tenho vergonha de escrever. Algo parecido com o artista que não tem vergonha de representar ou de pintar o que pensa e o que sente. A escrita é menos direta que a fala.

Escrevo para compreender. O que é um ser humano? Outrossim, escrevo para deixar o melhor de mim, pra não surtar!Porque ouço uma voz que vem de dentro.

Enquanto viver e estiver com saúde, continuarei a ter um forte apego ao estilo da prosa, as vezes, estou com meus companheiros de copo e surge a inspiração, começo a escrever no guardanapo.

Não sou o tipo de escritor que fica trancado varias horas  para vir a inspiração, na verdade, ela vem do dia a dia, gosto de estar constantemente on line na vida real, convivendo com pessoas e situações diferentes,  é como se tudo virassem textos, aquilo que me incomoda nas pessoas/situações se tornam script.

Ainda bem que posso me sustentar com o meu ofício, não que a minha vida seja fácil e que não passe um monte de dificuldades, no entanto, tenho dúvidas que sem os apuros que passo eu teria tanto impulso pra criar, acredito que os contratempo me estimulam a criatividade, as ideias.

É como se dentro de mim existissem vários livros, ou melhor, vários embriões, mas, um em especial já se denomina feto, grita  e espernear que já se encontra pronto pra vir ao mundo.

Com  espirito vanguardista nasce o contrato social!

“O escritor está sempre trabalhando em um livro, mesmo quando não está escrevendo. “
Antônio Callado